terça-feira, fevereiro 10, 2015

Crónicas de uma recente verdadeira adepta dos que jogam à bola.


É engraçado que o ser adepta é realmente uma coisa que se ganha com o tempo e com a assiduidade. Nunca assisti muito convictamente a jogos de futebol. Não sabia os nomes dos jogadores todos do meu Clube e não entendia muitas das coisas que aconteciam em campo. Achava que não me dizia nada, que não gostava, que tanto me fazia e que não me trazia nada de bom. Sempre achei divertido o entusiasmo que as pessoas carregam, o ficarem totalmente alteradas perante a derrota ou a vitória do seu próprio clube. Isso divertia-me. Mas nada mais. O mais engraçado nisto tudo é que nunca compreendi a ira das pessoas quando toca a assuntos futebolísticos. Não percebia nunca como é que as pessoas se provocam e se irritam umas com as outras porque um jogador meteu (ou não) uma bola na baliza da equipa adversária.

Comecei a ser mais atenta no Euro 2004 quando o amor pela nossa pátria movimentou massas. Sofria a ver jogos, efetivamente. Larguei livros de História e de Geografia e de Psicologia de preparação para os Exames Nacionais para me juntar àquela histeria que se vivia na minha pequena e humilde terra sempre que a selecção colocava os pés em campo.  E eu vivi intensamente aquela adrenalina. Mas não passara disso. Os amigos sempre me tentaram provocar com inúmeras piadas sobre jogos que o Sporting perdia, sobre as imensas trocas de treinador. Mas eu nunca tinha reacção. Era uma atitude um  pouco “não aquece-nem arrefece”. Até ao momento em que comecei a pisar com maior regularidade o estádio.

O primeiro dia foi um entusiamo com o ambiente que ali se vivia. Foi bom ter ido com o D. sempre, que (apesar de os nervos não lhe permitirem ter um diálogo muito elaborado e a atenção não desviar muito do que se passava em campo) sempre me soube explicar o que ali se passava. De correcto, incorrecto, a favor ou contra o nosso clube. Já vi empates no estádio. Já vi vários jogos em que perdemos e vários em que ganhámos. Já vi performances completamente entediantes que me dava vontade de lhes atirar pedras a cada segundo. Já senti a ira e já senti a alegria imensa. Saltei no colo do D. variadas vezes e já agarrei na mão dele de tantos nervos que sentia. Consigo já identificar os jogadores em campo, consigo perceber o que faz falta e o que está a correr bem ou mal.
Depois do jogo de ontem foi a primeira vez que me senti irritada com um derby. E não, não perdemos. Foi um empate injusto fruto de um puro golpe de sorte, mas foi sorte do Benfica, como poderia ter sido sorte nossa esse golo de último minuto não acontecer. Sinto-me irritada porque a maioria dos adeptos benfiquistas acha efetivamente que ficámos com melão. Obviamente como qualquer clube faria (mesmo o Benfica) fizémos a festa antes do tempo, pois ninguém adivinhava aquele golo. Já aconteceram situações semelhantes ao Benfica, mas quando é para provocar a memória é sempre curta.  Fico irritada por isso. Empatámos e então? Melão era termos perdido, isso sim. Mas não perdemos. O Benfica continuou à nossa frente, com uns pontos a mais. Tudo na mesma. Jogámos para ganhar e não para empatar, mas azares de último minuto acontecem. Como aconteceram. Melão? Não. Não perdemos nada. Fomos os melhores em campo e isso para nós já foi um grande tudo.

Resumo de crónica: Sou finalmente uma verdadeira adepta Sportinguista, com tudo o que isso acarreta! 

terça-feira, janeiro 27, 2015

Amor versus Homem da nossa Vida



Durante a semana passada discuti com as O.F um tema que me pareceu interessante partilhar aqui. O amor da nossa vida é o homem da nossa vida? Não houve consenso absoluto sobre o tema obviamente. Quando se fala de sentimentos nunca há.

Eu realmente acho que o Amor da nossa vida pode ou não ser o Homem da nossa vida. Acredito mesmo nisso. Acredito que quem tenha o privilégio de ter um grande amor sabe que nunca haverá nada que irá superar isso. Não digo que não seja possivel amar-se outra pessoa. Mas não daquela forma, não a fazer-nos sentir assim. O Amor da nossa vida é aquele que nos arrebata. Que nos sufoca. É aquele com o qual tens os momentos mais felizes da tua vida e os piores. Vives tudo intensamente. Os pequenos momentos de paixão são as melhores coisas do mundo e as pequenas discórdias são o fim da vida. Mesmo o fim para muitos. Fazes loucuras, ultrapassas todos os limites.

O Homem da nossa vida pelo contrário, (podendo ou não ser o Amor da nossa vida) não nos dá tamanha intesidade mas dá-nos a possibilidade de, a longo prazo, termos uma vida estável, normal e feliz. Equilibrada, digamos assim. Existe amor entre os dois, claro que sim. Existem momentos igualmente felizes e igualmente tristes. Mas as tristezas já não são sentidas como as maiores catástrofes e os momentos felizes não nos sufocam mais.

É complicado gerir cá dentro tanta emoção. Não é fácil aceitar que a pessoa com quem estamos possa não ser o Amor da nossa vida. Ou aceitarmos que alguém que ficou no passado foi o Amor da nossa vida. Há quem nem consiga ultrapassar essa perda e seguir em frente para um novo Amor.

Acredito também que existe uma possibilidade (cada vez mais ínfima, contudo) de o Amor da nossa vida ser o Homem da nossa vida. Essa sorte ainda existe. Acredito que sim. Acredito que então a longo prazo, nesse caso, há uma mistura dos dois. Aprendes com o tempo a encarar os momentos tristes como “naturais” e passageiros e os momentos felizes continuam a arrebatar-te e a deixar-te o brilho no olhar mas atinges uma paz que não te sufoca mais. És feliz e pronto. E isso basta.


Sorte de quem encontra os dois, ao mesmo tempo, numa só pessoa. “Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa Vida.”