segunda-feira, fevereiro 24, 2014

O Adeus sem despedida.

 
 
Não consigo despedir-me de ti carequinha. Nunca consegui dizer-te Adeus. Foi sempre uma despedida de sorriso aberto à espera de um novo reencontro e de mais sorrisos.
Tenho-me lembrado tanto de tanta coisa. Ainda há três dias estava a ver-te pela última vez ali, tão sereno, com um ar tão meio (como sempre foste) e não consigo deixar de lembrar tanta coisa que vivemos.
Lembras-te q esperavas por mim todas as semanas depois das aulas para irmos a Portalegre às compras? Não esperas por mim para te ajudar. Esperavas porque sabias que eu queria ir no carro e gritava sempre "vô, abre o tejadilho, abre, abre!!!". Tu sorrias mas alertavas sempre.
Foste o meu professor de patinagem, como eu gostava de te chamar. Calçavas os teus patins e eu equipava-me toda, com o vestido e iamos andar horas no ringue.
Foste tu que me ensinaste a amar os animais.
Eras tu quem ia filmar a Chuva de Estrelas na Festa de Natal da Escola, os teatrinhos da Festa da Páscoa. Lembras-te? Ficavas tão feliz de estar ali. E eu tão orgulhosa e vaidosa: "Está ali o meu avô!"
Lembras-te de mesmo já para o fim não conseguirmos largar as nossas alcunhas? O patxitxinho e a patxitxinha. Lembraste-te sempre isso meu carequinha. Até ao fim.
Fazias os trabalhos de casa comigo e iamos sempre juntos ver as notas assim que saiam e depois corriamos para o café para me presenteares com uma qualquer guloseima.
Eu era tão traquina e tu ajudavas tanto. eheheh Lembras-te de eu levar as meninas lá para casa e fazer tardes de dança? A mesma cassete que passava os mesmo videoclips e nós não nos cansávamos de repetir e rever e cantar e dançar tantas e todas as vezes. Tu ficavas sossegadinho na tua casinha dos bonequinhos a talhar as tuas madeiras e a fazer a tua arte.
Armavas as surpresas com elas meu safado! :) Encobrias as minhas traquinices da mãe e quando o pai não me fazia as vontades, tu ias escondido e tornavas tudo realidade.
E as festinhas que me fazias nos cabelos até eu adormecer? Penteavas com os dedos... até não haver mais fio de cabelo por pentear.. até te doerem os braços de estares na mesma posição, e mesmo assim dizias que não doía, só por saberes que me deixava tranquila. Faziamos à vez com a mãe, lembras-te?
Eu sei que te lembras de tudo. Sempre. Que nunca esqueces.
E eu nunca esquecerei. Nunca esqueceremos todos.
Porque tu não foste só um avô, um grande avô, tu foste um pai (e mãe), tu foste amigo da família dos amigos. Tu fizeste a nossa terra crescer. Deste-lhe lares, deste-lhe vida, deste-lhe o teu amor. Deste-lhe tudo o que Deus te deu a ti. O teu amor e a tua arte.
E a mim deste-me tudo o que sou hoje. Tudo.
 
Não me quero despedir de ti patxitxinho. Não consigo. Estás sempre aqui pertinho de mim. É só fechar os olhos e vejo-te, vejo-nos. Aos dois, aos três, a todos. Vejo-te sempre de braços abertos e a sorrir para mim e sei que essa imagem dar-me-á hoje e todos os dias a paz necessária, e a mais pura e verdadeira das certezas:
 
Tive na minha vida, ao meu lado, a melhor pessoa do mundo.
 
O teu coração estará sempre comigo. E a tua alma a encher a minha.
Ontem, hoje e todos os dias. Eu em ti. Tu em mim.
 
Descansa em paz e guarda-me lá de cima, está bem patxitxinho? Eu por cá prometo que não me esqueço. Nunca.

2 comentários:

Telma Raposo disse...

Que lindo Mary. Sentimento puro, sincero e maravilhoso que irá perdurar para sempre. Um beijo grande

Beites disse...

O sentimento
é a beleza da alma que perdura...


~_

xoxo de aqui dos calhaus da Serra