domingo, janeiro 26, 2014

Como é que se esquece alguém que nos mentiu?

 
Como é que se esquece alguém que nos mentiu? Da mesma forma que se esquece alguém que se amou: não se esquece.
A mentira sendo uma divergência de um sentimento como o Amor tem tanto impacto na nossa vida como uma grande paixão. A mentira fere-nos o peito. É um apunhalar de todo o nosso ser, deixa-nos amputados perante qualquer verdade que possa ainda sobreviver à tragédia de uma grande mentira.
Não é fácil compreender uma mentira. Mais dificil ainda é aceitá-la como sendo a verdade. Aceitar que tudo aquilo que era a nossa verdade é que passou a ser a mentira.
A mentira é confusa, é inaceitável. É cheia de porquês. A mentira é uma tremenda desilusão.
 
Não se esquece alguém que nos mente. É preciso primeiro condenar a pessoa por ter mentido. Fazê-la sentir-se um caco, uma mentira como aquela que criou. É preciso ficar com raiva, irritado, com vontade de esbofetear a pessoa até ela implorar por perdão. É preciso sentir vontade de não querer ver mais essa pessoa. Matá-la dentro de nós. Achar que é a pior pessoa do mundo. É preciso desejar-se a distância. A distância da mentira que era a nossa verdade.
 
 
É preciso criar novas verdades. Procurar novos sorrisos, novos olhares. Procurar novos "qualquer coisa" em tudo aquilo que já tinhamos ao nosso lado. Ver todo um mundo de uma forma [re]inventada.
 
É preciso ir às trevas e voltar para se ter de volta alguma tranquilidade e sobretudo dignidade.
Como é que se esquece alguém que nos mentiu?
Não se esquece. Perdoa-se e volta-se a acreditar.

domingo, janeiro 05, 2014

2014, mais 365 dias de mais ou menos as mesmas coisas.

 
 
E chegou mais um ano, mais 365 dias de mais ou menos as mesmas coisas. Sim, eu não acredito de todo no tão aclamado cliché "Ano Novo, Vida Nova". A vida nunca é nova. É renovada, é reciclada, é proclamada. 2013 foi um pouco daquilo que 2012 tinha sido e roçou perto do que 2011 trouxe. Há sempre mais ou menos as mesmas coisas em dimensões diferentes. Mas todos os anos, todos os 365 dias temos mais do mesmo. Os dias de escola, os dias de trabalho. Os dias de energia. Os dias de cansaço. Alegrias extasiantes. Desilusões profundas. Amarguras. Felicidade. Gargalhadas energéticas. Lágrimas. Mãos dadas. Abraços rasgados. Olhares distantes. Aqueceres de alma. Corações cheios. Brincadeiras. Notícias. Programas estupidificantes. Passeios. Em cada ano há qualquer coisa nova é um facto.
 
Posso dizer que 2013 foi talvez um pouco mais repleto em novidades que 2012. Fiquei desempregada, voltei a estar empregada. Uma estreia na minha vida, é um facto. Mas não a tornou uma vida nova, só um pouco diferente. Conheci pessoas novas de quem gosto muito. Conheci pessoas que não suportei ou suporto. Reconstrui relações. Quebrei laços. Renovei laços. Perdi-me. Encontrei-me. (Re)apaixonei-me. Desiludi-me. Mas também fiz isto tudo nos outros anos.
 
2014 é mais um ano. Mais um ano para mim, para ti, para nós todos. Contando que seja mais um ano que passo junto dos que mais amo não me importo que não seja uma "vida nova". Não quero uma vida nova. Quero esta. Com (des)amores, com a melhor família e os melhores amigos do mundo. Tenho as minhas raízes, as minhas origens, os meus apegos. Tenho esta sensibilidade malandra que tanto sofrimento me causa mas que me permite viver tão intensamente cada momento feliz. Se quero coisas novas? Claro que quero. Mas até mesmo esse querer não é novidade. Quero mais de tudo aquilo que já tenho entregue a mim numa ambição saudável desmedida. Quero dançar nos braços de quem amo e gargalhar intensamente. Quero chorar porque estou triste. Quero chorar porque estou aliviada. Quero chorar porque estou alegre. Quero sentir. Quero adrenalina. Quero desafios. Quero objectivos.
2014 não quero uma vida nova ok?
Dá-me mais um pouco desta. Mais daquilo e menos do outro. Da-me mais 365 dias de tudo aquilo que é tão meu e de tudo o que ainda será.