terça-feira, setembro 03, 2013

Seremos sempre os mais felizes do mundo.

O trânsito percorria mais um ano as estradas todas da minha pequena vila. O jardim tinha multidões de todas as idades, a entrada este ano anunciava a projecção do Novo Centro de Saúde do Crato. A malta brincou: "entra-se bem e sai-se para ficar doente a ressacar. " A entrada de muros brancos e árvores imponentes, e o principal corredor do artesanato. Falta lá o avô, os seus bonequinhos. Falta lá ele sentadinho, com o seu manto azul cheio de lascas de madeiras "Anda cá Joãozinha, toma lá 200escudos e vai comprar qualquer coisinha para beliscares :)". Relembro. Sorrio e sigo. Há novo artesanato. Pessoas de perto, de longe, de cantos e de recantos. Nas tasquinhas cheira a acorda a alenteja, a migas e entrecosto, carne de porco preto. Bebem-se licores daqui e dali. Comem-se fatias de teculameco, rebuçados de ovos de Portalegre, mais doces e mais salgados. E a malta reune-se mais um ano.  E encontramos a malta do ciclo (alguns casados e com filhos), a malta do secundário, a malta da faculdade e até do trabalho. Amigos de longe, de perto, de meio caminho. Vêm os avós, os tios, os pais, os primos. E vem a familia recente e a mais nova, e a mais velha. E voltam as caras conhecidas, aquelas que conhecemos do ano passado e aquelas que conhecemos de há vinte anos. E as imensas caras novas. A multidão que chega de fora e vem ao Crato criar raízes.
Durante o dia acalmamos da multidão no banco do quintal ao lado do fiel companheiro e da familia.
Damos um mergulho e afundamo-nos nas risadas da nossa malta.
E chega a noite e o Crato está cheio. O palco tem uma imensidão sem medida, as luzes não chegam ao alcance da última pessoa que se avista e nós pensamos no quanto mudou, no quanto engrandeceu. E olho para a minha volta e as minahs gentes continuam ali. Alguns amigos novos, que voltam sempre nesta altura. Mas são meus. São todos tão meus. São os mesmo sorrisos e os mesmo olhares. O meu sentimento de "esta minha gente é o meu coração".  E nisto as nossas festas não mudam. Continuamos a ser os mesmos, com a mesma vontade, com o mesmo sentimento, com a mesma cumplicidade. E longe ou perto (para ti Carla) estaremos sempre juntos de corações unidos e com a lembrança de cada olhar e cada voz, e cada momento e toda a nossa simplicidade.
Sempre com a certeza de que ali, no meio uns dos outros, em família, seremos sempre os mais felizes do mundo.