quarta-feira, julho 17, 2013

Uma menina não diz palavrões.

 
 
 
Nunca ninguém disse que os palavrões eram bonitos. Nunca ninguém gostou de ouvir um palavrão. Não se fica encantado, não se fica deslumbrado. Palavrões nunca encantaram ninguém, muito menos saídos da boca de uma mulher.
Sempre me repetiram que "é feio" as mulheres dizeres palavrões. Desde pequenina que ouvia por todo lado "Isso não se diz." ou "Uma menina não diz palavrões, não diz asneiras." É feio. Sempre foi, sempre será. Não se deve dizer. Um homem não o deve dizer a mulher não o deve dizer. E não devem porque a sociedade acha que é assim.
Eu sou mulher. Como mulher, nunca tive problemas com palavrões. Convivo com eles desde pequena, como todos nós, e nunca me fez qualquer espécie. São feios sim, são fortes, são grosseiros. São meio masculinos e daí "uma menina não diz palavrões." Quem não levou com pimenta na boca, ou pelo menos contou com a ameaça? Quem não tentou dizer todos os plavrões só pela piada de provocar os que nos rodeiam, sobretudo o pai e a mãe?
 
E são feio os palavrões. Sempre feios.Mas são carregados de realidade, de sentimento, de garra, de atitude. É por isso que tal como diz o MEC, o Amor é Fodido, e é díficl a Puta da Vida. Sim, é verdade.
No Alentejo há pequeno palavrões que são muito usuais. À semelhança do norte é muito natural alguns palavrões entrarem no inicio, no meio e no fim das frases. E são pessoas mais soltas, mais honestas, mais simples e mais dedicas, as pessoas do Norte. No Alentejo é assim. Os gaiatos são maganos e cabrões. As gaiatas maganas e cabritas (são espevitados, rebeldes, extasiados). Qualquer coisa que seja demasiado complicada ou insistente é uma bela "porra" ou "merda". E daí em diante. E é assim na boca dos mais idosos, nos que passeiam pelos campos e nos que estão em casa. É assim na boca dos pais, dos tios e dos filhos. E sobretudo, dos meninos e das meninas.
E eu sendo menina sempre disse uns quanto palavrões. Nunca achei que fosse bonito, mas não há nada mais carregado de intenção como mandar alguém à merda. Contudo há que saber usar os palavrões. Não são para qualquer pessoa. Não são para qualquer momento. São para quem nos conhece, e sobretudo para quem NOS conhece. Com palavrões ou sem palavrões.
Eu digo-os. Não diariamente. Digo-os intensamente e nos limites da razão. Mas ainda assim com razão. Sempre. E carrego-os de sentimento e na verdade, quando os dizemos há algo mais que se possa dizer? Não há. Está tudo dito.
 
São feios os palavrões. Na boca dos meninos e das meninas.
Uma menina não diz palavrões.
E a menina cresce, vira mulher, e sabe sentir e dize-los.

Sem comentários: