sexta-feira, abril 12, 2013

Ser-se genuinamente bom


É demasiado cruel viver neste mundo e ser-se genuinamente bom. Ser assim, uma alma sorridente e de paz. Uma alma de mãos dadas com a alma do lado. Uma alma que cruza com a outra alma.
São várias as vezes que me sinto a desencaixar. Nesta caixa que é o mundo, o dito selvagem, não se pode ser assim como tantas vezes sou, genuinamente boa. 

Nas últimas duas semanas uma nova família acolheu-me. Deu-me as boas vindas e recebeu-me sem esperar nada em troca, apenas a considerar-me mais um membro. Soube-me bem demais. É difícil encontrar isto aqui na cidade. É difícil ser-se assim. Mas é tão gratificante. 
Na cidade já ninguém sabe o que são laços, o que são dependências. As pessoas acham natural o "cada um por si". Hoje lembram-se de mim, amanhã já não. Hoje mandam uma mensagem, amanhã já não.A grande maioria das pessoas rege-se pela regra do "aproveitamento" como lhe costumo chamar: aproveitam a companhia umas das outras, nos momentos que lhes dá jeito e quando lhes apetece. A maioria das pessoas vivem de forma demasiado intra, direccionada só para si. As atitudes assentam muito nos ditos "não devo nada a ninguém" ou no "hoje não me apetece". As pessoas já não se interessam por nada que seja para elas,por elas. Não me encaixo neste mundo. Não há lugar para as pessoas genuinamente boas, já.
O mundo fechou as portas às atitudes puras. Fechou as portas a sorrisos sinceros e a olhares ternos. O mundo fechou as portas à simples atitude de "dar" e abraçou com força até tirar o fôlego o "receber".  Que imposturice pegada. As atitudes não são cuidadas, não são pensadas, não incluem o próximo. Será que as pessoas não se cansam de tanto egoísmo? Será que as pessoas não se fartam de tanta mediocridade? Chega a repugnar.

Estou exausta. Exausta de lutar contra este mundo podre. Onde as pessoas se tornam podres com tanta facilidade. Corrompem-se. Destroem-se. Destroem-nos. Estou exausta. Estou cansada de tentar fazer com que as coisas valham a pena para mim e para os outros. Para os outros, para os outros para os outros. Exausta de me repetir tanta vez. Exausta de tentar. Exausta de insistir. Exausta de acreditar. 
A grande maioria das pessoas não vale a pena. E é assim.
E eu estou exausta de as tentar trazer para perto de mim.
Não sei: ou já não há lugar para elas, ou elas simplesmente não são assim como eu, genuinamente boas.

3 comentários:

regina disse...

Cheguei :)
E vou voltar mais vezes. Beijinhos

regina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pipo disse...

Piquena, concordo plenamente ctg... Embora conheça alguns genuinos cá na cidade grande, poucos é verdade, não há genuidade como a das "nossas gentes" :-) Beijinhos