domingo, março 17, 2013

É urgente ser-se eremita.


Há momentos em que temos de saber apreciar a grandiosidade de momentos só nossos. É demasiado urgente e necessário saber-se ser eremita. As pessoas andam demasiado distraídas com a roupa, os sapatos, o trabalho árduo, os jantares, os convívios, e esquecem-se de quem são, tantas vezes.
É urgente parar. Estar só. E só estar. Ficar assim quase que como se o mundo lá fora fosse qualquer coisa completamente desnecessária à sobrevivência. Parar. Pensar. Não repensar. Deixar apenas algumas ideias passarem pela cabeça. Pensar no que nos faz feliz. Pensar no que realmente vale a pena e no que está perto e sempre lá para nós. Parar.
É urgente parar. Ler um livro talvez. Ler atentamente. Deixar fluir aquele dom de se entusiasmar com uma história que não a da nossa vida, do nosso dia-a-dia. Ler a primeira sílaba e saber o que vem a seguir. Relaxar. Ler a sorrir ou a chorar. Parar.
É urgente parar. Sentar. Beber um copo de vinho e ouvir uma boa música. Saborear o vinho e escutar a letra da música com atenção. Cada palavra. Enrolar a mente na música, na letra, na melodia. Parar.
É urgente parar. Estar assim só. Só em nós próprios. Só num sábado à noite. Só num domingo deprimente e chuvoso que pede uma companhia urgente para animar o término de mais um fim de semana. Só num dia de sol que pede um dia de praia na companhia de um grupo enorme. Parar.
É urgente parar.
É urgente olhar o mundo através de nós e não sob o olhar dos outros. É urgente o dom da partilha de algo que apenas fica connosco, só para nós. É urgente saber que continuamos a ser nós, e gostar disso. Parar.

É urgente saber que o mundo lá fora nos pode dar a mão.
Mas ainda assim termos o conhecimento que é urgente, é urgente por vezes ser-se eremita.

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