sexta-feira, março 08, 2013

Ainda te amo.


- Ainda te amo.

Foram as última palavras que ele lhe disse ao telefone, antes de ela desligar.
Ficou remexida com o assunto, mas calmamente desligou o telemóvel, sentou-se na cama, vestiu o pijama e deitou-se na esperança que o sono chegasse depressa. Ligou a tv com o temporizador, diminuiu drasticamente o volume e ficou ali a espera que o sono tomasse conta dela. Acabara por adormecer nem sabe ao certo quanto tempo depois. 
Sete da manhã, o despertador tocava como sempre. Levantou-se, tomou banho, vestiu-se e tomou o pequeno almoço. Saiu de casa e entrou no carro e ligou os telemóveis, como sempre. Tinha uma mensagem de um número desconhecido. "Ainda te amo." Estranhou, mas não entranhou tal coisa e seguiu o seu rumo, caminho ao local de trabalho, como habitual. Trabalhou o dia inteiro de forma stressante, dead lines a estoirar, um frenesim imenso a inundar-lhe as horas que iam passando depressa demais.
Oito horas da noite e estava novamente a entrar no carro de regresso a casa. Cai outra mensagem no telemóvel  desta vez com número conhecido: "Vem ter a Sintra. É urgente."
Entendera de imediato onde seria para ir ter. Sentira um aperto profundo na garganta que a sufocava e uma dor gigante no peito. Seguiu o mais rápido que pôde até ao destino a que o seu coração a levava. Lá estavam já duas pessoas à sua espera. Empurrou a porta e entrou. Sangue. Havia muito sangue.
Era a mão dele. O braço dele, o corpo dele, o rosto dele.
Era ele, o seu amor, ali. E ela não tinha tido oportunidade de lhe dizer também:

- Ainda te amo.



2 comentários:

Anónimo disse...

Forte, arrasador.

Ainda te amo. :)

Mary Jo disse...

Como ja alguem me questionou, aproveito e esclareco aqui as restantes duvidas. Amigos, este texto é ficcionado, da primeira a ultima palavra. :p