quinta-feira, janeiro 31, 2013

Mais um dia.




Ainda não tinham passado duas semanas em que estava desempregada. Estava a ser complicado saber gerir o tempo livre que tinha. Hoje iria ao mercado logo pela manhã e compraria o peixe fresquinho. Depois talvez aproveitasse o sol e fosse para a beira-rio ler um pouco ou simplesmente fechar os olhos enquanto o sol e a brisa acariciam o seu rosto.
Assim foi. Cumpriu à risca o planeado. Era o necessário: tinha de criar rotinas, ter originalidade nas mesmas e fazer por se entreter, havendo sempre um timming diário para a pesquisa necessária, ora num cáfe agradável de forma a se entreter com o entra e sai de gente, ora em casa.
Ainda não tinham passado duas semanas em que estava desempregada e não se sentia a desesperar, mas a entendiar. Era complicado ter de inventar actividades diárias, procurar companhias. Lia desenfreadamente livros, fazia pesquisas intermináveis de todos os temas na Internet. Via coisas fúteis e procurava manter-se informada.
Estava deitada num dos bancos em que se sentava sempre quando ia passear à beira-rio. Estava bem aconchegada com uma confortável camisola de capuz (a sua preferida nos dias do "dolce fare niente") e lia um livro de crónicas banais, propositadamente para que não lhe fosse permitido divagar muito pelos pensamentos.
Era algo que ela tentava controlar diariamente. A sua própria divagação. Tinha (já não sabendo se seria defeito ou qualidade) a particularidade de valorizar demais as coisas simples da vida. Explorava todos os sentires que cada pequena coisa lhe transmitia. Esta era uma delas. Estava sentada agora. Com um bloco na mão e claro, a escrever.
Ao fundo do lado direito via o padrão dos descobrimentos, sempre belo, imensamente claro e parecia tão "clean". No lado esquerdo a ponte. Era o sol que a encadeava ao brilhar na calçada branca que se prolongava até lá. Olhava o rio e o sol encadeava o próprio rio. Fazia-o cintilar  Não parecia poluído. O céu estava azul e bonito. Começou a imaginar o que se poderia ver do lado de Almada, mais para lá na Serra da Arrábida, à beira mar de todas a praias que se lembrava. E pronto, estava a divagar.
Não estava feliz por estar ali.
Estava feliz porque tendo que estar ali, não queria estar em mais nenhum lugar.
Ali tinha o sol, a água, o branco e alguma paz. Chegava perfeitamente.

Regressou a casa, preparou o lanche e dedicou-se a mais uma pesquisa.

Mais um dia que passou.

2 comentários:

Bananinha disse...

A menina é lindaaaa ;)

Anónimo disse...

Awesome work as always...you are gifted, don't throw that away...NEVER!
And remember, things may not look so good right now, but eventually your situation will get better. You will eventually see a light at the end of the tunnel...i know you will! =)
And when that day comes, i'll be there to commemorate it with you. =)
And in the meantime, try to enjoy a little that free time that you have...enjoy those simple things that you value so much...
=)

Big Kiss

Anonymous