segunda-feira, janeiro 14, 2013

A penny for a lonely sunset

Estava entediada do frio que teimava obrigar a estar por casa. Vestiu roupa quente, gorro, luvas e gola. Pegou num livro (desta vez calhou William Butler Yeats) e saiu de casa.

Pegou na mota e seguiu estrada. Demorou uns segundos, enquanto fazia o trajecto necessário para abandonar a vila, a escolher o local mas depressa se decidiu. 
Tinha saudades daquele pedaço de campo que invadia quando mais nova com a sua mãe. Quando iam as duas de bicicleta e resolviam sempre parar ali, porque tinha um campo de girassóis gigante lá ao fundo e podiam repousar sobre o verde e ver o sol descer e abandonar o local, instalando a hora do lusco-fusco.
Estacionou a mota e saltou a vedação (sim, claro, porque a maior piada e adrenalina da coisa era invadir um terreno privado e ainda assim selvagem). Trouxe o livro consigo. E uma manta para quando ficasse mais fresco. E claro, para se poder deitar no meio do verde que não tinha fim.
Achou curiosa a escolha que fez, uma vez que não lia Yeats desde os tempos da faculdade. Quase que sentiu saudades infindáveis dessa altura, em que tinha tudo de uma forma tão mais fácil. Ou então pensava que assim era. Encostada ao sobreiro de sempre, folheava o livro desenfreadamente e lia, e sorria serenamente. E pensava "É bom estar assim." Nunca o tinha feito só. Ou com a mãe, ou com outra possível metade sua. Mas estava só desta vez. E porque queria. E estava serena.
E deixou-se ler mais um pouco, enquanto o sol descia. E enquanto pensava que não havia mais nenhum pôr-do-sol tão perfeito quanto aquele, lia mais um pouco:

I whispered: "I am to young",
And then, "I am old enough";
Wherefor I threw a penny
To find out I might love.
"Go and love, go and love, young man,
If the lady be young and fair."
Ah, penny, brown penny,brown penny,
I am looped in the loops of her hair.

Oh love is the crooked thing,
There is nobody wise enough
To find out all that is in it,
For he would be thinking of love
Till he star had run away
And the shadows eaten the moon.
Ah, penny, brown penny, brown penny,
One cannot begin it too soon.

Penny Brown, William Butler Yeats

Tinha saudades da simplicidade do Yeats. Fechou o livro e ouviu que alguém a chamava.
Tinha chegado companhia.


1 comentário:

Anónimo disse...

There's so much that can be said, but nothing that comes to mind, gets close and does justice to what you have done, so i can only say...BEAUTIFUL, just BEAUTIFUL!!
Loved the poem too, it's amazing.
I found this recitation, hope you like it! =)

http://www.youtube.com/watch?v=itCIn_3YB_c

Kisses

Anonymous =P