sexta-feira, outubro 18, 2013

Seu Jorge, o grande.

" Meu amor não estamos sós 
 Tem um mundo a esperar por nós 
 infinito do céu azul 
 Pode ter vida em Marte 
 Então, vem cá me dá a sua língua 
 Então vem, eu quero abraçar você
 Seu poder vem do sol 
 Minha medida 
 Então vem, vamos viver a vida
 Então vem, senão eu vou perder quem sou 
 Vou querer me mudar para uma life on mars"


   

 Porque o sol brilha sempre mais forte depois da neblina. 
Porque continua a valer a pena voar[mos] lado a lado.

quarta-feira, outubro 16, 2013

Nunca fiz senão sonhar-nos.


 
Nunca fiz senão dar-te tudo o que sou. Dar-te todo o meu amor. Dar-te toda a minha alma.
Nunca fiz senão cuidar de ti, tratar de ti. Acarinhar-te. Passar a mão pelo cabelo e fazer da tua vida, a mais perfeita. Nunca fiz senão ser sempre tua, a todas as horas e a todos os minutos. Amar-te incondicionalmente e esperar por ti sempre. Nunca fiz nada que não fosse para ti, por ti. Nada que não fosse para nós e por nós. Nunca fiz senão dar-te o meu melhor, e o meu pior. Nunca fiz se não ser em em todas as nossas coisas. Nunca fiz senão dar-te a minha maior ternura e todo o meu carinho. Nunca deixei de te amar. De te querer por perto. Nunca quis ouvir outra voz susurrar ao meu ouvido que não a tua. Nunca quis amar intensamente ninguém que não tu. Nunca quis soltar a tua mão, nem parar de te beijar.
Nunca quis perder horas sem ti, dias sem te ver, minutos sem te falar.
Nunca quis dormir ao lado de outro alguém que não tu.
Nunca quis estar sozinha, podendo estar ao teu lado.
Nunca quis dizer-te que te amo, porque não serei capaz de parar de o dizer.
Nunca quis dizer-te adeus, mesmo quando tu já partiste.
Nunca quis deixar de viver a nossa história, quando o que fiz nunca foi mais sonhar. Sonha-te. Sonhar-nos.


terça-feira, setembro 03, 2013

Seremos sempre os mais felizes do mundo.

O trânsito percorria mais um ano as estradas todas da minha pequena vila. O jardim tinha multidões de todas as idades, a entrada este ano anunciava a projecção do Novo Centro de Saúde do Crato. A malta brincou: "entra-se bem e sai-se para ficar doente a ressacar. " A entrada de muros brancos e árvores imponentes, e o principal corredor do artesanato. Falta lá o avô, os seus bonequinhos. Falta lá ele sentadinho, com o seu manto azul cheio de lascas de madeiras "Anda cá Joãozinha, toma lá 200escudos e vai comprar qualquer coisinha para beliscares :)". Relembro. Sorrio e sigo. Há novo artesanato. Pessoas de perto, de longe, de cantos e de recantos. Nas tasquinhas cheira a acorda a alenteja, a migas e entrecosto, carne de porco preto. Bebem-se licores daqui e dali. Comem-se fatias de teculameco, rebuçados de ovos de Portalegre, mais doces e mais salgados. E a malta reune-se mais um ano.  E encontramos a malta do ciclo (alguns casados e com filhos), a malta do secundário, a malta da faculdade e até do trabalho. Amigos de longe, de perto, de meio caminho. Vêm os avós, os tios, os pais, os primos. E vem a familia recente e a mais nova, e a mais velha. E voltam as caras conhecidas, aquelas que conhecemos do ano passado e aquelas que conhecemos de há vinte anos. E as imensas caras novas. A multidão que chega de fora e vem ao Crato criar raízes.
Durante o dia acalmamos da multidão no banco do quintal ao lado do fiel companheiro e da familia.
Damos um mergulho e afundamo-nos nas risadas da nossa malta.
E chega a noite e o Crato está cheio. O palco tem uma imensidão sem medida, as luzes não chegam ao alcance da última pessoa que se avista e nós pensamos no quanto mudou, no quanto engrandeceu. E olho para a minha volta e as minahs gentes continuam ali. Alguns amigos novos, que voltam sempre nesta altura. Mas são meus. São todos tão meus. São os mesmo sorrisos e os mesmo olhares. O meu sentimento de "esta minha gente é o meu coração".  E nisto as nossas festas não mudam. Continuamos a ser os mesmos, com a mesma vontade, com o mesmo sentimento, com a mesma cumplicidade. E longe ou perto (para ti Carla) estaremos sempre juntos de corações unidos e com a lembrança de cada olhar e cada voz, e cada momento e toda a nossa simplicidade.
Sempre com a certeza de que ali, no meio uns dos outros, em família, seremos sempre os mais felizes do mundo.

domingo, agosto 18, 2013

Mais um ano de Festival :)

E como não poderia deixar de ser, vem mais um final de mês de Agosto agitado por terras Cratenses.
E como já só faltam alguns dias, o cartaz este ano é:


É favor NÃO FALTAR :)

terça-feira, agosto 13, 2013

E perderam-se no corpo um do outro uma e outra vez.


Estiveram três anos sem se verem. Três anos sem se tocarem. Três anos sem se falarem. E chegou o dia em que os caminhos se cruzaram mais uma vez. E outra e outra. E terminaram onde terminavam sempre. Na cama num longo, demorado e prolongado amor.
E passaram dois anos e eles eram os mesmos. Adormeceram abraçados como se tivesse sido ontem a última vez que dormiram juntos. Não se esqueciam um do outro. Da pele um do outro. Do cheiro um do outro. Dos arrepios. Dos sorrisos. Dos olhares. Do toque. Da magia. Do amor.
No final ela dormia ainda. Ele abraçando-a, descontraído caía na leitura do seu livro de cabeceira e deixava cair o olhar pelo seu ar terno enquanto dormia. Pelo seu corpo nú e puro. Admirava as curvas imperfeitas dela. As marcas, as cicatrizes, os sinais. Gostava de como o corpo dela caía junto ao seu e encaixava. Tal como dantes. Sorria e respirava fundo.
Ela acordara. Sorria e abraçava-o forte. Levantara-se. Nua. Toda nua. Foi agarrá-la à cozinha. A luz que entrava pela janela iluminava os seus ombros e a nuca. Beijara-a até não poder mais.
Segredou-lhe ao ouvido: Fica cá só mais uma noite. Fica cá só mais uma noite todos os dias pode ser?
E ela traquina como sempre fora segredou: Só se me apanhares. 
E correu pela casa fora até ele a apanhar e se perderem nos braços um do outro. Uma e outra vez.

quinta-feira, agosto 01, 2013

No Ouvido [9]

E após um ano... volto a cantarolar isto. Não sai da cabeça :)

quarta-feira, julho 17, 2013

Uma menina não diz palavrões.

 
 
 
Nunca ninguém disse que os palavrões eram bonitos. Nunca ninguém gostou de ouvir um palavrão. Não se fica encantado, não se fica deslumbrado. Palavrões nunca encantaram ninguém, muito menos saídos da boca de uma mulher.
Sempre me repetiram que "é feio" as mulheres dizeres palavrões. Desde pequenina que ouvia por todo lado "Isso não se diz." ou "Uma menina não diz palavrões, não diz asneiras." É feio. Sempre foi, sempre será. Não se deve dizer. Um homem não o deve dizer a mulher não o deve dizer. E não devem porque a sociedade acha que é assim.
Eu sou mulher. Como mulher, nunca tive problemas com palavrões. Convivo com eles desde pequena, como todos nós, e nunca me fez qualquer espécie. São feios sim, são fortes, são grosseiros. São meio masculinos e daí "uma menina não diz palavrões." Quem não levou com pimenta na boca, ou pelo menos contou com a ameaça? Quem não tentou dizer todos os plavrões só pela piada de provocar os que nos rodeiam, sobretudo o pai e a mãe?
 
E são feio os palavrões. Sempre feios.Mas são carregados de realidade, de sentimento, de garra, de atitude. É por isso que tal como diz o MEC, o Amor é Fodido, e é díficl a Puta da Vida. Sim, é verdade.
No Alentejo há pequeno palavrões que são muito usuais. À semelhança do norte é muito natural alguns palavrões entrarem no inicio, no meio e no fim das frases. E são pessoas mais soltas, mais honestas, mais simples e mais dedicas, as pessoas do Norte. No Alentejo é assim. Os gaiatos são maganos e cabrões. As gaiatas maganas e cabritas (são espevitados, rebeldes, extasiados). Qualquer coisa que seja demasiado complicada ou insistente é uma bela "porra" ou "merda". E daí em diante. E é assim na boca dos mais idosos, nos que passeiam pelos campos e nos que estão em casa. É assim na boca dos pais, dos tios e dos filhos. E sobretudo, dos meninos e das meninas.
E eu sendo menina sempre disse uns quanto palavrões. Nunca achei que fosse bonito, mas não há nada mais carregado de intenção como mandar alguém à merda. Contudo há que saber usar os palavrões. Não são para qualquer pessoa. Não são para qualquer momento. São para quem nos conhece, e sobretudo para quem NOS conhece. Com palavrões ou sem palavrões.
Eu digo-os. Não diariamente. Digo-os intensamente e nos limites da razão. Mas ainda assim com razão. Sempre. E carrego-os de sentimento e na verdade, quando os dizemos há algo mais que se possa dizer? Não há. Está tudo dito.
 
São feios os palavrões. Na boca dos meninos e das meninas.
Uma menina não diz palavrões.
E a menina cresce, vira mulher, e sabe sentir e dize-los.

quinta-feira, junho 06, 2013

Peacefull Rest


É urgente uma série de fins de semana como este.
Arrábida, praia, sol e mar.
Descanso e muita harmonia.
Posso ter mais? :)

terça-feira, maio 14, 2013

A arte de nos [des]encantarmos

Em todas as relações que as pessoas desenvolvem entre si, qualquer laço entre elas deriva daquilo a que as pessoas gostam de chamar A Conquista. Eu prefiro chamar de Encantamento, o primeiro grande tudo. As pessoas encantam-se e só depois se conquistam. As pessoas encantam-se e automaticamente conquistam-se, todos os dias. Eu prefiro chamar de Encantamento, pela beleza da sua efemeridade. O Encantamento é um acto prolongado, simples e genuíno. É um cruzamento de empatias, uma ligação de duas almas que se sentem afagadas e confortáveis. O encantamento passa muito por estar ao lado de alguém em quem vemos um pouco de nós. O encantamento só por ti carrega tamanha dimensão que  a conquista é de imediato ultrapassada, considerada desnecessária. Afinal para quê querer ser conquistado quando se está perdidamente encantado??
Eu tenho uma facilidade desmedida em encantar-me. Gosto de pessoas. Gosto de as saber genuínas. Gosto de as ver viver, gosto de as ver movimentar, de as olhar de sorrir com elas. Sou uma permanente encantada. É fácil demais o processo de nos encantarmos. É demasiado repentino. Nunca o soube controlar muito bem. Sempre tive uma certa dificuldade em distanciar-me e aperceber-me do encantamento antes de ele acontecer. Mas tenho de confessar, encanta-me este descontrolo emocional, esta falta de gestão do coração que me obriga diariamente a gostar desmedidamente das pessoas.
Enrolo-me neste encantamento e deixo-me envolver de tal forma que muitas vezes parece-me que a vida se torna menos bela sem isso por perto. É um processo em que sou tão genuína e que me faz acreditar tanto na essência das pessoas e nas características delas que havendo alguma falha, algum sinal evidente fora daquilo que me encantou em alguém inicio de imediato o Desencantamento
Ao contrario do Encantamento,  não me desencanto muitas vezes (apesar de começar a ser algo mais frequente desde que passo mais tempo na cidade, talvez porque falta muita pureza e laços sentimentais às pessoas). E é algo muito rápido, digamos que em 24h há um descongelamento emocional de tudo aquilo que me ligava à pessoa, que me fazia sentir empatia por ela e que me fazia sobretudo sentir e desejar a sua presença. Primeiro fica em processo de repetição a atitude que provocou o "click" e depois há toda uma logística racional que se sobrepõe às emoções (que começam a ser mais controladas e menos efusivas). É como se houvesse toda uma transformação em mim e nesse momento a pessoa simplesmente deixa de ser incluída na minha vida, nos meus pensamentos, nas minhas acções, nos meus planos. Quando há o desencantamento não há conquista ou sequer reconquista que o valha. Deixa de haver cumplicidade e a empatia que um dia me uniu a alguém é quebrada. E nessa altura o que se faz? Fica-se assim e esquece-se naturalmente, até não nos lembrarmos nunca da pessoa.
O desencantamento não é um processo amargo nem rancoroso. É o que tem de bom, sobretudo para alguém como eu que sofre demasiado com separações e com quebras de laços. O desencantamento é definitivamente o melhor processo. Não há dor. Nenhuma dor. Há um certa irritação inicial, e uma certa lamentação nos primeiros dias (dependendo da dimensão da ligação que temos com essa pessoa) e depois há um descongelar emocional, em que vamos perdendo todos os sentimentos que nutrimos por essa pessoa. Não sobra nada. Nada de bom. Nada de mau. Está ali. Se aparecer, muito bem. Se não aparecer, não há lembrança que a valha.

É demasiado bom o encantamento e a sua quebra sempre foi dolorosa. Os eternos porquês, as eternas esperanças do renascimento daquilo que no encantou.
O desencantar, se tiver de chegar, não é moroso e deixa viver bem e em paz e com tranquilidade.
Mas tenho de confessar, como desmedida emocional, continuo a preferir sentir-me encantada. É um prazer que pode ser eterno, até ao dia em que não sabemos mais quem somos.
O desencantar é hoje.
O encantar é efémero.



quinta-feira, maio 09, 2013

No ouvido [8]

Viciooooooooooooooooooo!!
Dança, dança, fecha os olhos, grita, dança, dança!

Tem sido complicado no decorrer da semana deixar o testemunho aqui no cantinho, mas algo de força muito maior se coloca, uma nova realidade.



Glintt, o novo desafio :)


quinta-feira, maio 02, 2013

Coisas de Cinéfilos [2]


Tenho visto cada vez mais cinema brasileiro. É triste pensar que fomos nós que colonizámos este país e continuamos tão e cada vez mais aquém.
O último filme brasileiro que vi foi um pouco sob a influência de saber que uma das minhas actrizes preferidas entrava, a grande Christiane Torloni. Mas confesso que o filme foi uma comoção. 
Para quem não sabe, Chico Xavier foi um médium que dedicou os seus 92 anos de vida a ajudar o próximo. Escreveu inúmeros livros que foram traduzidos em variadas línguas  Escreveu sobre filosofias espiritualistas e transcrevia, de olhos fechados, mensagens que diariamente lhe eram transmitidas por pessoas já falecidas.
O filme explora toda a falta de credibilidade que Chico teve durante desde a infância por assumir o seu contacto com uma vida espiritual. Explora também os imensos seguidores que o mesmo tinha, a fé que o moveu perante uma comunidade e as famílias que uniu e fortaleceu.
É um filme duro, mas essencialmente bonito. 
E como sempre, em todo e qualquer filme brasileiro, com excelentes interpretações.
Parabéns Matheus Costa, Angelo Antonio, Nelson Xavier.
E claro, à diva, Chris :)




terça-feira, abril 30, 2013

Um grande grande obrigada!


"Se entretanto não falarmos, gostaria de lhe dizer pelos anos que tenho a mais de experiência de vida, que, há acontecimentos na nossa vida que mudam o rumo do nosso destino, nem sempre para pior, espero e desejo-lhe que esta experiência seja uma porta aberta a algo muito melhor. A Maria João tem um carácter com muitas vantagens, tem um imenso sentido de humor, tem uma personalidade carinhosa e é muito bonita com estas características e um bocadinho de sorte vai encontrar o seu caminho que acredito a irá fazer muito mais feliz. 
Tenho muito carinho por si e pode contar sempre comigo, gostaria muito de não a perder de vista, dê noticias. "


Obrigada por estas palavras e outras tantas na altura do primeiro Adeus profissional. 
Foi um prazer trabalhar ao vosso lado e com toda a certeza levarei a bagagem que todos me deram para a nova experiência que abraçarei dentro de dias.

Um grande grande e apertado abraço e um obrigada maior ainda.
Do fundo do meu coração.

No ouvido [7]

Já soube a Verão.
Quero mais.
Mais sol, mais calor, mais corpos soltos e ritmos libertadores!
=)


"(...) a cave or a shed, a car or a bed
a hole in the ground or a burial mound
a bush or a tree
or the aegean sea, will do for me
(...)
I can say that you look pretty
you turn my legs into spaghetti
you set my heart on fire
for you I found a vent
in the bottom of a coal mine
just enough space for your hands in the inside (...)"



terça-feira, abril 23, 2013

Coisas de Cinéfilos [1]

Já vi, já revi e voltei a ver.
E sempre que vejo perco-me pela originalidade de cenários do filme.
Boa adaptação.
Perfeito guarda-roupa.
Cenários e fotografia magníficos.
Muito bom! Aconselho! TOP!



Anna Karenina (2012) de Joe Wright com Matthew Macfadyen, Keira Knightley e Jude Law nos principais papéis.  

segunda-feira, abril 15, 2013

That´s what it is [9]


No ouvido [6]

Não sai do ouvido!

tem atenção comigo meu amor
porque eu não sou dessas
que fingem
que não vêem
e o meu coração já aguentou
o que podia aguentar (...) :)


sexta-feira, abril 12, 2013

Ser-se genuinamente bom


É demasiado cruel viver neste mundo e ser-se genuinamente bom. Ser assim, uma alma sorridente e de paz. Uma alma de mãos dadas com a alma do lado. Uma alma que cruza com a outra alma.
São várias as vezes que me sinto a desencaixar. Nesta caixa que é o mundo, o dito selvagem, não se pode ser assim como tantas vezes sou, genuinamente boa. 

Nas últimas duas semanas uma nova família acolheu-me. Deu-me as boas vindas e recebeu-me sem esperar nada em troca, apenas a considerar-me mais um membro. Soube-me bem demais. É difícil encontrar isto aqui na cidade. É difícil ser-se assim. Mas é tão gratificante. 
Na cidade já ninguém sabe o que são laços, o que são dependências. As pessoas acham natural o "cada um por si". Hoje lembram-se de mim, amanhã já não. Hoje mandam uma mensagem, amanhã já não.A grande maioria das pessoas rege-se pela regra do "aproveitamento" como lhe costumo chamar: aproveitam a companhia umas das outras, nos momentos que lhes dá jeito e quando lhes apetece. A maioria das pessoas vivem de forma demasiado intra, direccionada só para si. As atitudes assentam muito nos ditos "não devo nada a ninguém" ou no "hoje não me apetece". As pessoas já não se interessam por nada que seja para elas,por elas. Não me encaixo neste mundo. Não há lugar para as pessoas genuinamente boas, já.
O mundo fechou as portas às atitudes puras. Fechou as portas a sorrisos sinceros e a olhares ternos. O mundo fechou as portas à simples atitude de "dar" e abraçou com força até tirar o fôlego o "receber".  Que imposturice pegada. As atitudes não são cuidadas, não são pensadas, não incluem o próximo. Será que as pessoas não se cansam de tanto egoísmo? Será que as pessoas não se fartam de tanta mediocridade? Chega a repugnar.

Estou exausta. Exausta de lutar contra este mundo podre. Onde as pessoas se tornam podres com tanta facilidade. Corrompem-se. Destroem-se. Destroem-nos. Estou exausta. Estou cansada de tentar fazer com que as coisas valham a pena para mim e para os outros. Para os outros, para os outros para os outros. Exausta de me repetir tanta vez. Exausta de tentar. Exausta de insistir. Exausta de acreditar. 
A grande maioria das pessoas não vale a pena. E é assim.
E eu estou exausta de as tentar trazer para perto de mim.
Não sei: ou já não há lugar para elas, ou elas simplesmente não são assim como eu, genuinamente boas.

quarta-feira, março 27, 2013

Dia Mundial do Teatro

E no dia Mundial do Teatro, tinha de me lembrar de vocês meus queridos!
Saudades nossas, vossas e do palco :)



segunda-feira, março 25, 2013

That´s what it is [8]


Sempre que te dou a mão.



Toquei à porta que estava entreaberta apenas presa pela corrente de trinco. Pensei de imediato "Meu Deus, com o frio que está..." Estavam os dois sentados à braseira como de costume na sala, com a TV ligada no canal de sempre, porque já não acertam com o comando (muito menos com a chegada do TDT) e a perderem o olhar no vazio de qualquer canto da sala. Olhei para ti com atenção. Estavas tão descuidado avô. A barba por fazer e o cabelo já grande. "Então essa barba avô, não se faz?" Tentei que visses que tens de fazer alguma coisa quanto a isso mas apenas conseguiste contar-me mais uma vez aquela história de uma queda grande que deste e esfolaste o joelho. E contaste como se fosse a primeira vez. Como se não me tivesses contado ontem e anteontem. E eu ouvi e fiz-me de surpreendida, porque não consegui pela décima vez repetir-te que já me tinhas contado isso, ou sequer relembrar-te de que isso não foi ontem, mas há umas três semanas.
Fiz-te muitas festinhas no rosto. Estás tão magrinho, não andas a comer bem com certeza. Ou pior, esqueces-te de comer. E tento pensar e aceitar a ideia de que infelizmente estás assim no final da tua vida. E que infelizmente a grande maioria dos velhinhos agora ficam assim. Mas aperto a tua mão e fecho o olhos como se quisesse que o tempo voltasse para trás.
Porque queria entrar no Crato e ver-te a dar passeio pelo Rossio a cumprimentar toda a gente com o maior sorriso. Buzinar te e fazer-te adeus! Queria ir de bicicleta ter contigo ao atelier e pedir-te um pouco de papel vegetal para brincar a fingir que também desenhava casas. Queria chegar a casa e andar de patins por todo o lado e tu seres o único que não me ralhava. Queria ir contigo a Portalegre às compras no Mercedes e ir o caminho todo com o tejadilho aberto e com a cabeça de fora. Queria conhecesses as minhas amigas quando as vês na rua e que lhes falasses de mim. Queria ainda estar aí contigo e estudar nessa escola em frente a casa. Queria passar os serões contigo a ver um filme, ou a fazer os trabalhos de casa, enquanto tu de bata azul escura fazias os teus bonecos a pouco e pouco e me dizias: "Vês? Agora é só cortar aqui e faço já este braço."
Mas ainda és teimoso avô, e resolvi então dar-te razão sempre agora. Porque sofro ao saber-te assim. Tão sem rumo, tão oco. E ainda és gentil e sorridente e tão mas tão bonzinho. Ainda continuas bem disposto, mesmo que a queixares-te de qualquer dor em qualquer parte. Aí ainda és tu. 
E sempre que te dou a mão fecho os olhos, e imagina-me ali contigo. Eu pequenina, e tu ainda tão activo.

terça-feira, março 19, 2013

Dia do Pai.

Sabes Pai, hoje é o teu dia. Mas não é só hoje. É hoje, amanhã, depois de amanhã. Ah, e foi ontem, e na semana passada, e há 15 dias. Sabes,  já é o teu dia há pouco mais de 26 anos. E sabes o melhor? Vai continuar a ser. =)
E ao ser o teu Dia, é um dia de magia para mim, porque revejo em mim tudo aquilo de mais bonito e puro tens em ti. A tua garra, a tua sinceridade, a tua força.
Sou um ser pequenino que cresceu todos os dias porque sempre me deste a mão.

Serás sempre o papi da tua piolhita :)

Adoro-te! Feliz dia do Pai!


After seeing this...

...I´m speechless.

domingo, março 17, 2013

É urgente ser-se eremita.


Há momentos em que temos de saber apreciar a grandiosidade de momentos só nossos. É demasiado urgente e necessário saber-se ser eremita. As pessoas andam demasiado distraídas com a roupa, os sapatos, o trabalho árduo, os jantares, os convívios, e esquecem-se de quem são, tantas vezes.
É urgente parar. Estar só. E só estar. Ficar assim quase que como se o mundo lá fora fosse qualquer coisa completamente desnecessária à sobrevivência. Parar. Pensar. Não repensar. Deixar apenas algumas ideias passarem pela cabeça. Pensar no que nos faz feliz. Pensar no que realmente vale a pena e no que está perto e sempre lá para nós. Parar.
É urgente parar. Ler um livro talvez. Ler atentamente. Deixar fluir aquele dom de se entusiasmar com uma história que não a da nossa vida, do nosso dia-a-dia. Ler a primeira sílaba e saber o que vem a seguir. Relaxar. Ler a sorrir ou a chorar. Parar.
É urgente parar. Sentar. Beber um copo de vinho e ouvir uma boa música. Saborear o vinho e escutar a letra da música com atenção. Cada palavra. Enrolar a mente na música, na letra, na melodia. Parar.
É urgente parar. Estar assim só. Só em nós próprios. Só num sábado à noite. Só num domingo deprimente e chuvoso que pede uma companhia urgente para animar o término de mais um fim de semana. Só num dia de sol que pede um dia de praia na companhia de um grupo enorme. Parar.
É urgente parar.
É urgente olhar o mundo através de nós e não sob o olhar dos outros. É urgente o dom da partilha de algo que apenas fica connosco, só para nós. É urgente saber que continuamos a ser nós, e gostar disso. Parar.

É urgente saber que o mundo lá fora nos pode dar a mão.
Mas ainda assim termos o conhecimento que é urgente, é urgente por vezes ser-se eremita.

terça-feira, março 12, 2013

Livros de cabeceira [1]

No mais fundo de ti, 

eu sei que traí, mãe 

Tudo porque já não sou 
o retrato adormecido 
no fundo dos teus olhos. 

Tudo porque tu ignoras 
que há leitos onde o frio não se demora 
e noites rumorosas de águas matinais. 

Por isso, às vezes, as palavras que te digo 
são duras, mãe, 
e o nosso amor é infeliz. 

Tudo porque perdi as rosas brancas 
que apertava junto ao coração 
no retrato da moldura. 

Se soubesses como ainda amo as rosas, 
talvez não enchesses as horas de pesadelos. 

Mas tu esqueceste muita coisa; 
esqueceste que as minhas pernas cresceram, 
que todo o meu corpo cresceu, 
e até o meu coração 
ficou enorme, mãe! 

Olha — queres ouvir-me? — 
às vezes ainda sou o menino 
que adormeceu nos teus olhos; 

ainda aperto contra o coração 
rosas tão brancas 
como as que tens na moldura; 

ainda oiço a tua voz: 
          Era uma vez uma princesa 
          no meio de um laranjal... 

Mas — tu sabes — a noite é enorme, 
e todo o meu corpo cresceu. 
Eu saí da moldura, 
dei às aves os meus olhos a beber, 

Não me esqueci de nada, mãe. 
Guardo a tua voz dentro de mim. 
E deixo-te as rosas. 

Boa noite. Eu vou com as aves. 

"Poema à mãe", Eugénio de Andrade.

Hoje foi o livro que saiu da estante e me caiu nas mãos durante o final da tarde. O grande Eugénio.
Para a minha mãe. Sinto a tua falta aqui perto de mim, todos os dias!

sexta-feira, março 08, 2013

No ouvido [5]

E esta semana tem sido assim:


"I'm walkin' back down this mountain, with the strength of a turnin' tide

Oh the winds so soft on my skin, the sun so hard upon my side.
Oh lookin' out at this happiness, I search for between the sheets.
Oh feelin' blind and realize, all I was searchin' for was me.
Ooo all I was searchin' for was me.
Keep your head up, keep your heart strong.
No, no, no, no.
Keep your mind set, keep your hair long."



Ainda te amo.


- Ainda te amo.

Foram as última palavras que ele lhe disse ao telefone, antes de ela desligar.
Ficou remexida com o assunto, mas calmamente desligou o telemóvel, sentou-se na cama, vestiu o pijama e deitou-se na esperança que o sono chegasse depressa. Ligou a tv com o temporizador, diminuiu drasticamente o volume e ficou ali a espera que o sono tomasse conta dela. Acabara por adormecer nem sabe ao certo quanto tempo depois. 
Sete da manhã, o despertador tocava como sempre. Levantou-se, tomou banho, vestiu-se e tomou o pequeno almoço. Saiu de casa e entrou no carro e ligou os telemóveis, como sempre. Tinha uma mensagem de um número desconhecido. "Ainda te amo." Estranhou, mas não entranhou tal coisa e seguiu o seu rumo, caminho ao local de trabalho, como habitual. Trabalhou o dia inteiro de forma stressante, dead lines a estoirar, um frenesim imenso a inundar-lhe as horas que iam passando depressa demais.
Oito horas da noite e estava novamente a entrar no carro de regresso a casa. Cai outra mensagem no telemóvel  desta vez com número conhecido: "Vem ter a Sintra. É urgente."
Entendera de imediato onde seria para ir ter. Sentira um aperto profundo na garganta que a sufocava e uma dor gigante no peito. Seguiu o mais rápido que pôde até ao destino a que o seu coração a levava. Lá estavam já duas pessoas à sua espera. Empurrou a porta e entrou. Sangue. Havia muito sangue.
Era a mão dele. O braço dele, o corpo dele, o rosto dele.
Era ele, o seu amor, ali. E ela não tinha tido oportunidade de lhe dizer também:

- Ainda te amo.



quinta-feira, fevereiro 21, 2013

E são 10 minutos do nosso tempo que valem muito a pena :)



As pessoas mudam.



As pessoas mudam.
Mudam de gostos. Mudam de feitio. Mudam de preferências. Mudam de defeitos. Mudam.

As pessoas mudam.
Mudam de casa. Mudam de mobília. Mudam de decorações. Mudam de local de trabalho. Mudam de olhar. Mudam de sorrisos. Mudam de emoções. Mudam de apelos. Mudam de crenças. Mudam de necessidades.

As pessoas mudam.
Mudam a todos os minutos. Mudam a cada sombra. Mudam a cada raio de sol. Mudam a cada dia. Mudam a cada mês. Mudam a cada ano. Mudam durante um tempo. Mudam durante algum tempo. Mudam durante muito tempo.

As pessoas mudam.
Mudam de amores. Mudam de paixões. Mudam de personalidades. Mudam de excentricidades. Mudam de manias. Mudam de medos. Mudam de decepções. Mudam de sonhos. Mudam de vontades. Mudam de rotinas. Mudam de hábitos.

As pessoas mudam.
Mudam de estilos. Mudam de aparência. Mudam de parecença. Mudam de discurso. Mudam de verdades. Mudam de mentiras. Mudam de aparências. Mudam de realidades. Mudam de reacções. Mudam de perspectivas. Mudam de evoluções. 

As pessoas mudam.
Assim só porque sim.

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

No ouvido [4]

Esta semana ouviu-se muito isto. É "aquela pica". :)

quinta-feira, fevereiro 14, 2013

Vamos falar de Amor



E no Dia dos Namorados eu faço um elogio ao amor. 
O Amor, o verdadeiro Amor.  O Amor que é feroz e gentil, implacável, desmedido, louco. Gosto desse Amor que não tem regras dentro das sua regra de ser infinito e demasiado puro e fiel a si mesmo. Quero um amor assim. Sem dúvidas, sem ponderações, sem subtilezas, sem incertezas, sem traumas ou más fases. Quero um Amor de verdade. Não como nos filmes, mas como o dos nossos avós. Aqueles amores que crescem todos os dias mais um bocadinho. Daquele que aperta o coração na ausência e sufoca de felicidade a todos os minutos. Um Amor incansável. Um Amor que me faz cantarolar a todo o minuto e que pede ao meu corpo para dançar ao som de qualquer música, em qualquer lugar. 
"Avô, vou ter um amor assim como o teu e o da avó?" perguntava eu quando pequena. O avô fazia-me uma festa no rosto e dizia: "Não querida. Vais ter um amor maior ainda. Grande, belo e infinito. Como tu."

Aparece quando quiseres Amor. Bate-me à porta, ou então cruza-te comigo por qualquer rua por aí.
Quando chegares, és meu. E será assim: um Amor grande, belo e infinito, como diz o avô. 
Porquê? Porque sim.


terça-feira, fevereiro 12, 2013

quinta-feira, janeiro 31, 2013

Mais um dia.




Ainda não tinham passado duas semanas em que estava desempregada. Estava a ser complicado saber gerir o tempo livre que tinha. Hoje iria ao mercado logo pela manhã e compraria o peixe fresquinho. Depois talvez aproveitasse o sol e fosse para a beira-rio ler um pouco ou simplesmente fechar os olhos enquanto o sol e a brisa acariciam o seu rosto.
Assim foi. Cumpriu à risca o planeado. Era o necessário: tinha de criar rotinas, ter originalidade nas mesmas e fazer por se entreter, havendo sempre um timming diário para a pesquisa necessária, ora num cáfe agradável de forma a se entreter com o entra e sai de gente, ora em casa.
Ainda não tinham passado duas semanas em que estava desempregada e não se sentia a desesperar, mas a entendiar. Era complicado ter de inventar actividades diárias, procurar companhias. Lia desenfreadamente livros, fazia pesquisas intermináveis de todos os temas na Internet. Via coisas fúteis e procurava manter-se informada.
Estava deitada num dos bancos em que se sentava sempre quando ia passear à beira-rio. Estava bem aconchegada com uma confortável camisola de capuz (a sua preferida nos dias do "dolce fare niente") e lia um livro de crónicas banais, propositadamente para que não lhe fosse permitido divagar muito pelos pensamentos.
Era algo que ela tentava controlar diariamente. A sua própria divagação. Tinha (já não sabendo se seria defeito ou qualidade) a particularidade de valorizar demais as coisas simples da vida. Explorava todos os sentires que cada pequena coisa lhe transmitia. Esta era uma delas. Estava sentada agora. Com um bloco na mão e claro, a escrever.
Ao fundo do lado direito via o padrão dos descobrimentos, sempre belo, imensamente claro e parecia tão "clean". No lado esquerdo a ponte. Era o sol que a encadeava ao brilhar na calçada branca que se prolongava até lá. Olhava o rio e o sol encadeava o próprio rio. Fazia-o cintilar  Não parecia poluído. O céu estava azul e bonito. Começou a imaginar o que se poderia ver do lado de Almada, mais para lá na Serra da Arrábida, à beira mar de todas a praias que se lembrava. E pronto, estava a divagar.
Não estava feliz por estar ali.
Estava feliz porque tendo que estar ali, não queria estar em mais nenhum lugar.
Ali tinha o sol, a água, o branco e alguma paz. Chegava perfeitamente.

Regressou a casa, preparou o lanche e dedicou-se a mais uma pesquisa.

Mais um dia que passou.

quinta-feira, janeiro 24, 2013

No ouvido [3]

"Bem te avisei, meu amor, que não podia dar certo, que era coisa de evitar.
Que como eu, devias supor que, com gente ali tão perto, alguém fosse reparar.
(...)Pedaço de mau caminho, onde é que eu tinha a cabeça quando te disse que sim?"

(E o corpo não pára  de mexer com este ritmo maravilhoso )


domingo, janeiro 20, 2013

A lealdade é um Amor que esquece o Mundo


"Só se é realmente leal quando se está sujeito a alguém ou a algo. Aí, onde mesmo um sonho pode ser senhor. Na sujeição de quem serve uma causa, na sujeição de quem se submete a um chefe, na sujeição à pessoa amada, na sujeição do sentimento e na sujeição do dever, no sacrifício da liberdade, da razão e do interesse. No desperdício e no desprezo do que está à vista e do que está à mão, é nesta desagradável situação que se acha ou não acha a lealdade. É por ser selvagem e servil, mas só a um senhor, que a lealdade tem valor. É muito difícil ser-se leal, mas só porque é muito difícil seguirmos o coração. A lealdade é um amor que esquece o mundo. Ao escolher um amigo, e ao ser-se amigo dele, rejeitam-se as outras pessoas. Quando estamos apaixonados, é através dessa pessoa que amamos a humanidade. O amor ocupa-nos muito. E para os outros, não fica quase nada. Não se consegue ser leal ao ponto de calar o coração. Mas sofremos com as nossas deslealdades. Sabemos perfeitamente o que estamos a fazer, quem sacrificámos, e porquê. É por causa da consciência da nossa imperfeição que o ideal da verdadeira lealdade não pode ser abandonado ou alterado. O facto de ser incumprível não obriga a que se arranje uma versão softcore, mais cómoda e realista. É preciso aguentar. A lealdade é uma coisa tão cega e simples de determinar quanto é difícil de determinar quanto é difícil de seguir."


 Miguel Esteves Cardoso, 'As Minhas Aventuras na República Portuguesa'

quarta-feira, janeiro 16, 2013

No ouvido [2]


"Feel the rain on your skin. No one else can feel it for you, only you can let it on. No one else, no one else, can speak the words on your lips. Drench yourself in words unspoken, live your life with arms wide open. 
Today is where your book begins!"


Se calhar porque está a chover... :)

Mas hoje andei a cantarolar esta o dia todo. E não é que fiquei com um óptimo mood? :p


segunda-feira, janeiro 14, 2013

A penny for a lonely sunset

Estava entediada do frio que teimava obrigar a estar por casa. Vestiu roupa quente, gorro, luvas e gola. Pegou num livro (desta vez calhou William Butler Yeats) e saiu de casa.

Pegou na mota e seguiu estrada. Demorou uns segundos, enquanto fazia o trajecto necessário para abandonar a vila, a escolher o local mas depressa se decidiu. 
Tinha saudades daquele pedaço de campo que invadia quando mais nova com a sua mãe. Quando iam as duas de bicicleta e resolviam sempre parar ali, porque tinha um campo de girassóis gigante lá ao fundo e podiam repousar sobre o verde e ver o sol descer e abandonar o local, instalando a hora do lusco-fusco.
Estacionou a mota e saltou a vedação (sim, claro, porque a maior piada e adrenalina da coisa era invadir um terreno privado e ainda assim selvagem). Trouxe o livro consigo. E uma manta para quando ficasse mais fresco. E claro, para se poder deitar no meio do verde que não tinha fim.
Achou curiosa a escolha que fez, uma vez que não lia Yeats desde os tempos da faculdade. Quase que sentiu saudades infindáveis dessa altura, em que tinha tudo de uma forma tão mais fácil. Ou então pensava que assim era. Encostada ao sobreiro de sempre, folheava o livro desenfreadamente e lia, e sorria serenamente. E pensava "É bom estar assim." Nunca o tinha feito só. Ou com a mãe, ou com outra possível metade sua. Mas estava só desta vez. E porque queria. E estava serena.
E deixou-se ler mais um pouco, enquanto o sol descia. E enquanto pensava que não havia mais nenhum pôr-do-sol tão perfeito quanto aquele, lia mais um pouco:

I whispered: "I am to young",
And then, "I am old enough";
Wherefor I threw a penny
To find out I might love.
"Go and love, go and love, young man,
If the lady be young and fair."
Ah, penny, brown penny,brown penny,
I am looped in the loops of her hair.

Oh love is the crooked thing,
There is nobody wise enough
To find out all that is in it,
For he would be thinking of love
Till he star had run away
And the shadows eaten the moon.
Ah, penny, brown penny, brown penny,
One cannot begin it too soon.

Penny Brown, William Butler Yeats

Tinha saudades da simplicidade do Yeats. Fechou o livro e ouviu que alguém a chamava.
Tinha chegado companhia.


quinta-feira, janeiro 03, 2013

And the last but not the least: Dezembro

E houve boas coisinhas e coisas menos boas. E é disso tudo que é feita a vida. E foi disso tudo que o mês de Dezembro terminou um ano difícil e diferente.


Feliz Aniversário Marianne :) Fds pela Ericeira!

Bolo da Marta (Nhammmyyyyy)

 A alegria de se ter a pequenina por casa!

O melhor presente de Natal :)

Cromices de Primas :)

E viva 2013 =)