domingo, janeiro 29, 2012

Abraça-me

E eis que no intervalo do estudo, respeitando a promessa de de retomar hábitos de leitura, peguei no livro de cabeceira e li um bocadinho do Joaquim Pessoa, que é um tão grande bocadinho de mim já.


Abraça-me. Quero ouvir o vento que vem da tua pele, e ver o sol nascer do intenso calor dos nossos corpos. Quando me perfumo assim, em ti, nada existe a não ser este relâmpago feliz, esta maçã azul que foi colhida na palidez de todos os caminhos, e que ambos mordemos para provar o sabor que tem a carne incandescente das estrelas. Abraça-me. Veste o meu corpo de ti, para que em ti eu possa buscar o sentido dos sentidos, o sentido da vida. Procura-me com os teus antigos braços de criança, para desamarrar em mim a eternidade, essa soma formidável de todos os momentos livres que a um e a outro pertenceram. Abraça-me. Quero morrer de ti em mim, espantado de amor. Dá-me a beber, antes, a água dos teus beijos, para que possa levá-la comigo e oferecê-la aos astros pequeninos.
Só essa água fará reconhecer o mais profundo, o mais intenso amor do universo, e eu quero que delem fiquem a saber até as estrelas mais antigas e brilhantes.
Abraça-me. Uma vez só. Uma vez mais.
Uma vez que nem sei se tu existes.

Joaquim Pessoa

1 comentário:

Anónimo disse...

Abraço-te. Sempre que quiseres o meu abraço e sempre que ele te der o aconchego que precisas. No meu braço cai sobre ti toda a pureza que há em mim, e nesse momento, em nós.
Como tenho saudades de te abraçar.
Vem cair no meu abraço. Vem.

J*