segunda-feira, dezembro 19, 2011

Normalidade Estupidificante

Há sempre o dia em que dizemos para nós mesmos: Chega.
Cansado da banalidade, da normalidade, ele decidiu que não queria mais levar o rumo normal da vida: licenciar-se, tornar-se mestre, casar e ter filhos.
Tudo isso poderia acontecer, mas não teria de ser premeditado. Não porque era normal. Não porque deveria ser normal isso acontecer.
Tinha o hábito normal de confiar e acreditar eternamente nas pessoas. De eternizar nelas aquilo que o cativara quando as conhecera. De ter esperança nelas. Mas há um tempo para tudo. E acreditar eternamente é absurdo. Estupidificante.
Encostara-se no sofá onde se preparava para descansar uns minutos. Pensava nela. Não conseguiu sorrir, mas também não ficou triste. Não sentira nada. Apenas pensava. Acreditou que tinha finalmente desistido dela, daquilo que acreditava que ela era capaz . Do que via nos olhos e no coração dela,na sua essência. Já não estava lá. Sentira hoje isso com toda a certeza. Apenas ficaria como que restava dela, pelo menos até ao dia em que até disso ele decidisse desistir também. "Pode ser que não... quem sabe." Murmurou baixinho, pensando com carinho nela e sorriu.
Gritou o nome do seu novo amor. Beijou-a intensamente. Brincaram um pouco e juntos foram jantar.


Tinha voltado mais um pouco a si. Todos os dias mais um bocadinho.

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