segunda-feira, setembro 12, 2011

A simplicidade da dor de não amar mais

Deitava-se agora ao lado dele. Enquanto a sua mão percorria o rosto dele ela deixava cair uma lágrima e respirava fundo. Ele dormia profundamente e em paz. Ela tinha o inferno a percorrer-lhe as veias e corroer-lhe a alma. Após tantos anos era demasiadamente doloroso descobrir que já não o amava. Gostava de sorrir com ele, e de o ver a expressar-se. Gostava da forma como ele falava e como conduzia a vida dele, a vida deles. Mas já não o amava.
Abraçava-o agora como que a despedir-se dele. Tinha de o deixar ir. Tinha de o libertar.

Levantou-se e retirou debaixo da cama a mala com a pouca bagagem que havia escondido durante a tarde. Ia partir. E nunca mais voltaria, não àquela cama.
Simplesmente porque já não o amava.

1 comentário:

Anónimo disse...

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos. F.P

Babe :))