quinta-feira, junho 23, 2011

A simplicidade de ser livre no amor

Assim que virou costas chorou. Chorou apenas por segundos. Foi suficiente. Soluçou um pouco e deixou que a alma gritasse o sufoco que a sua garganta segurava. Sentou-se. Olhou para o tecto e fechou os olhos. Deixou-se estar um pouco. Lamentou-se por breves segundos enquanto escorriam mais duas ou três lágrimas pelo seu rosto recemente queimado do sol.
Adormeceu por 5 minutos e dominada pelas emoçoes aconchegou-se no seu cabelo e lembrou-se de como ficava bem junto ao dele. De como gostava quando ele a cheirava, e quando a mão dele passava pelos cabelos dela.
Pensou que estava tão farta de lutar contra o seu próprio coração. Estava cansada de tentar impor-se a uma solidão que não queria de todo viver. Estava na hora de partilhar. Finalmente. Ser livre dentro da partilha. Era tudo o que ela queria. Tudo o que ela sempre quis.


A simplicidade de ser livre no amor.
Só isso.
Não é querer muito, pois não?

1 comentário:

DSF disse...

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

F.P.