quinta-feira, junho 30, 2011

Origem de todas as Coisas

As cores secas do campo confundiam-se com o calor do alcatrão que queimava. O Verão havia chegado aqui, finalmente. O calor sufocante e as noites de puro silêncio haviam chegado.
Observo que não há céu como este. Não há ceu como o meu, como o das minhas origens. Deixo-me envolver por todas as coisas. Respiro fundo e deixo-me ser.
Algo recomeçara naquela noite.
Talvez como em todas as noites ali.
Era ali, para mim, a origem de todas as coisas.
A minha Origem.

domingo, junho 26, 2011

Eat Pray Love (4)

"She says that people universally tend to think that happiness is a stroke of luck, something that will maybe descend upon you like fine weather if you´re fortunate enough. But that´s not how hapiness works. Happiness is the consequence of personal effort. You fight for it, strive for it, insist upon it, anda sometimes even travel around the world looking for it. You have to participate relentlessly in the manifestations of your own blessings. And once you have achieved a state of happiness, you must make a mighthy effort to keep swimming upward into that hapiness forever, to stay afloat on top of it.If you don´t, you will leak away you innate contentment."

quinta-feira, junho 23, 2011

A simplicidade de ser livre no amor

Assim que virou costas chorou. Chorou apenas por segundos. Foi suficiente. Soluçou um pouco e deixou que a alma gritasse o sufoco que a sua garganta segurava. Sentou-se. Olhou para o tecto e fechou os olhos. Deixou-se estar um pouco. Lamentou-se por breves segundos enquanto escorriam mais duas ou três lágrimas pelo seu rosto recemente queimado do sol.
Adormeceu por 5 minutos e dominada pelas emoçoes aconchegou-se no seu cabelo e lembrou-se de como ficava bem junto ao dele. De como gostava quando ele a cheirava, e quando a mão dele passava pelos cabelos dela.
Pensou que estava tão farta de lutar contra o seu próprio coração. Estava cansada de tentar impor-se a uma solidão que não queria de todo viver. Estava na hora de partilhar. Finalmente. Ser livre dentro da partilha. Era tudo o que ela queria. Tudo o que ela sempre quis.


A simplicidade de ser livre no amor.
Só isso.
Não é querer muito, pois não?

segunda-feira, junho 13, 2011

O "Aniversário" do Grande

"ANIVERSÁRIO

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a.olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui - ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas - doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . .

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!..."



O Grande partiu, mas deixou-nos o que de melhor tinha.
A sua Obra.
125 anos para Pessoa. Parabéns meu grande génio.

Não sei falar de amor

Hoje, não sei falar de amor.

Não sei falar da dor. Da dor no amor.

quarta-feira, junho 01, 2011

Linhas Ténues da Paixão


Podes proteger-te todos os dias, mesmo que não em todos os segundos. É possível. Podes recuar. Podes relativizar. Podes evitar. Podes racionalizar. E chega o dia em que o coração acelera desmedidamente e a protecção acaba. E aí é quebrada a linha demasiadamente ténue entre a paixão e a razão.
E não há nada a fazer.
Não se pode proteger um coração apaixonado.