segunda-feira, agosto 23, 2010

Gritar as Origens


Apaixono-me todos os dias por uma verdade com que sonho sempre. Enrolo-me numa dança e numa quebra-dança que parece não ter fim e grito. Grito. Não sei se choro, se rio. Se paro se prossigo. Envolvo-me nos meus próprios braços e descanso. Vejo sorrisos e olhares cúmplices de gentes minhas. Corro pelos campos que são tão meus e sinto o intenso perfume das flores mais selvagens que ali existem. Nas paredes de todas as ruas há histórias de momentos meus, e nossos. E ali somos sempre impulsivos. Ali o impulso é o sangue que nos corre nas veis. Somos sempre nós na mais pura forma. Nós em forma completa e colectiva.

Todos os sentires percorrem-me agora o corpo, enquanto continuo ali, ao vosso lado, a cerrar os olhos no imenso azul que nos inunda a alma todos os dias.
Surge em mim, de repente, o pensamento de que sou demasiadamente viciada nas minhas origens. "Vicio saudável"- penso.
Aconchego-me no silêncio que nos rodeia e entre os restantes rostos e acaricio as mãos que me amparam tantas e tantas vezes. Grito[amos] novamente, eu e vocês. E olhamo-nos e soltamos gargalhadas que se perdem naquela imensidão que é tão minha, tão vossa e tão nossa.

E aqui sabemos que somos felizes. Não somos?

sexta-feira, agosto 20, 2010

Palhaçadas do destino - a quebra da rotina

Não têm nunca a sensação de que o vosso universo é igual todos os dias? Os mesmo horários, as mesmas caras, as mesmas atitudes, enfim, a dita chamada e aclamada rotina. É algo com que não me consigo identificar, por mais que tente submeter-me à corriqueira ideia de que a "a vida é mesmo assim. é a vida de adulto". Epah, lamento, mas nao dá.
Ontem soltou-se o grito de liberdade que me aguardava. Fui ao terraço do Clube Ferroviário com o Carlos com a intenção de quebrarmos as nossas rotinas (enquanto colocavamos a conversa em dia sobre as novidades e as não-novidades das nossas vidas), e de ir ver um contador de história são-tomense acompanhado por um músico. Algo de diferente seria com certeza. Interessante também. Mas para quebrar ainda mais a rotina e os planos, os barmen trocaram-nos as certezas e proclamaram uma mudança de horário - meia noite. E decidimos que em véspera do último dia de trabalho da semana (sempre cansativo) não poderíamos ficar (o dito ataque de consciência laboral) para ver, contudo resolvemos beber algo.
Entre comentários, trocas de impressões e partilhas encontrámos o Diogo e depois o amigo do Diogo (que me perdoe por não me lembrar do nome dele) e ainda o outro Diogo. Os Diogos trabalharam ambos no Evoé, um dos Diogos como professor e o outro na produção dos espectáculos e como aluno. E entre as tipicas conversas do "o que é que estás a fazer agora?" e as perguntas sobre o restante pessoal, houve de novo a partilha comum do sentimento de ser artista. E da arte de lutar. E sobretudo da arte de concretizar.

Chamem-lhes [nos] "actores", artistas ou palhaços.
Em palco tudo é permitido.
Em palco somos [sou] livre.
E sinto tanta falta disso.

quinta-feira, agosto 05, 2010

E mais um cartaz das grandiosas!!!!

Ora façam o favor de não faltar,minha gente!!!!

terça-feira, agosto 03, 2010

Adeus António

1954- 2010


"Aproveitem a vida e ajudem-se uns aos outros. Apreciem cada momento. Agradeçam e não deixem nada por dizer, nada por fazer."
Obrigada Mestre.

carinho sem idade


Os minutos voam, as horas fogem e os dias passam. Nos vossos olhos vejo uma história não tão em comum, não tão feliz como poderiam(os) querer, não tão infeliz também. Há lá marcas e vazios e dores. Desde pequena que me lembro do quanto vocês sempre foram distantes um do outro. Tu com a tua preocupação constante e bondade extrema. E ela sempre a desmerecer todas as tuas tentativas.

E é no final das vossas vidas que vos vejo a serem companheiros.

E naquele dia, em que vieram juntos despedir-se de mim ao portão do quintal, e a mão dela pousou no teu ombro, eu fotografei-vos na minha memória. Sorri e pensei: Finalmente.