terça-feira, fevereiro 10, 2015

Crónicas de uma recente verdadeira adepta dos que jogam à bola.


É engraçado que o ser adepta é realmente uma coisa que se ganha com o tempo e com a assiduidade. Nunca assisti muito convictamente a jogos de futebol. Não sabia os nomes dos jogadores todos do meu Clube e não entendia muitas das coisas que aconteciam em campo. Achava que não me dizia nada, que não gostava, que tanto me fazia e que não me trazia nada de bom. Sempre achei divertido o entusiasmo que as pessoas carregam, o ficarem totalmente alteradas perante a derrota ou a vitória do seu próprio clube. Isso divertia-me. Mas nada mais. O mais engraçado nisto tudo é que nunca compreendi a ira das pessoas quando toca a assuntos futebolísticos. Não percebia nunca como é que as pessoas se provocam e se irritam umas com as outras porque um jogador meteu (ou não) uma bola na baliza da equipa adversária.

Comecei a ser mais atenta no Euro 2004 quando o amor pela nossa pátria movimentou massas. Sofria a ver jogos, efetivamente. Larguei livros de História e de Geografia e de Psicologia de preparação para os Exames Nacionais para me juntar àquela histeria que se vivia na minha pequena e humilde terra sempre que a selecção colocava os pés em campo.  E eu vivi intensamente aquela adrenalina. Mas não passara disso. Os amigos sempre me tentaram provocar com inúmeras piadas sobre jogos que o Sporting perdia, sobre as imensas trocas de treinador. Mas eu nunca tinha reacção. Era uma atitude um  pouco “não aquece-nem arrefece”. Até ao momento em que comecei a pisar com maior regularidade o estádio.

O primeiro dia foi um entusiamo com o ambiente que ali se vivia. Foi bom ter ido com o D. sempre, que (apesar de os nervos não lhe permitirem ter um diálogo muito elaborado e a atenção não desviar muito do que se passava em campo) sempre me soube explicar o que ali se passava. De correcto, incorrecto, a favor ou contra o nosso clube. Já vi empates no estádio. Já vi vários jogos em que perdemos e vários em que ganhámos. Já vi performances completamente entediantes que me dava vontade de lhes atirar pedras a cada segundo. Já senti a ira e já senti a alegria imensa. Saltei no colo do D. variadas vezes e já agarrei na mão dele de tantos nervos que sentia. Consigo já identificar os jogadores em campo, consigo perceber o que faz falta e o que está a correr bem ou mal.
Depois do jogo de ontem foi a primeira vez que me senti irritada com um derby. E não, não perdemos. Foi um empate injusto fruto de um puro golpe de sorte, mas foi sorte do Benfica, como poderia ter sido sorte nossa esse golo de último minuto não acontecer. Sinto-me irritada porque a maioria dos adeptos benfiquistas acha efetivamente que ficámos com melão. Obviamente como qualquer clube faria (mesmo o Benfica) fizémos a festa antes do tempo, pois ninguém adivinhava aquele golo. Já aconteceram situações semelhantes ao Benfica, mas quando é para provocar a memória é sempre curta.  Fico irritada por isso. Empatámos e então? Melão era termos perdido, isso sim. Mas não perdemos. O Benfica continuou à nossa frente, com uns pontos a mais. Tudo na mesma. Jogámos para ganhar e não para empatar, mas azares de último minuto acontecem. Como aconteceram. Melão? Não. Não perdemos nada. Fomos os melhores em campo e isso para nós já foi um grande tudo.

Resumo de crónica: Sou finalmente uma verdadeira adepta Sportinguista, com tudo o que isso acarreta! 

terça-feira, janeiro 27, 2015

Amor versus Homem da nossa Vida



Durante a semana passada discuti com as O.F um tema que me pareceu interessante partilhar aqui. O amor da nossa vida é o homem da nossa vida? Não houve consenso absoluto sobre o tema obviamente. Quando se fala de sentimentos nunca há.

Eu realmente acho que o Amor da nossa vida pode ou não ser o Homem da nossa vida. Acredito mesmo nisso. Acredito que quem tenha o privilégio de ter um grande amor sabe que nunca haverá nada que irá superar isso. Não digo que não seja possivel amar-se outra pessoa. Mas não daquela forma, não a fazer-nos sentir assim. O Amor da nossa vida é aquele que nos arrebata. Que nos sufoca. É aquele com o qual tens os momentos mais felizes da tua vida e os piores. Vives tudo intensamente. Os pequenos momentos de paixão são as melhores coisas do mundo e as pequenas discórdias são o fim da vida. Mesmo o fim para muitos. Fazes loucuras, ultrapassas todos os limites.

O Homem da nossa vida pelo contrário, (podendo ou não ser o Amor da nossa vida) não nos dá tamanha intesidade mas dá-nos a possibilidade de, a longo prazo, termos uma vida estável, normal e feliz. Equilibrada, digamos assim. Existe amor entre os dois, claro que sim. Existem momentos igualmente felizes e igualmente tristes. Mas as tristezas já não são sentidas como as maiores catástrofes e os momentos felizes não nos sufocam mais.

É complicado gerir cá dentro tanta emoção. Não é fácil aceitar que a pessoa com quem estamos possa não ser o Amor da nossa vida. Ou aceitarmos que alguém que ficou no passado foi o Amor da nossa vida. Há quem nem consiga ultrapassar essa perda e seguir em frente para um novo Amor.

Acredito também que existe uma possibilidade (cada vez mais ínfima, contudo) de o Amor da nossa vida ser o Homem da nossa vida. Essa sorte ainda existe. Acredito que sim. Acredito que então a longo prazo, nesse caso, há uma mistura dos dois. Aprendes com o tempo a encarar os momentos tristes como “naturais” e passageiros e os momentos felizes continuam a arrebatar-te e a deixar-te o brilho no olhar mas atinges uma paz que não te sufoca mais. És feliz e pronto. E isso basta.


Sorte de quem encontra os dois, ao mesmo tempo, numa só pessoa. “Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa Vida.” 

domingo, setembro 21, 2014

A Liberdade das cores e os cheiros dos meus Campos



Em conversa no outro dia com amigas foram recordados e partilhados momentos em que na nossa adolescência tínhamos destinados e designados de pura libertação. Senti uma enorme nostalgia nesse momento. 
Tenho saudades da minha terra. Consigo estar até um mês sem lá ir mas morro de saudades. Infinitas saudades.
Não há cheiro como o dos meus campos. O cheiro dos malmequeres que florescem na primavera, o cheiro das colheitas de feno no Verão, o cheiro das folhas caídas e o maravilhoso cheiro a campo e terra molhada nos Invernos dolorosos. Tenho saudades imensas de ir com a minha mãe de bicicleta na hora que o sol se põe, para o campo, para aquele sítio só nosso e sentarmo-nos ou deitarmo-nos a contemplar aquela imensidão toda. Sim, era de facto uma criança, e era tão bom ser assim. Não tinha preocupações, mas já carregava a sensação de que aquele era o melhor momento de sempre. O alivio de todas as sensações, a melhor das contemplações. 
Lembro-me de fazermos as estradas em caminhos secundários, onde à nossa volta só há campo e de vidros abertos soltarmos um grito prolongado que se perdia pelo horizonte que não tinha fim. 
Lembro-te tão bem das cores do céu, do barulho que as rodas da bicicleta faziam com a velocidade do vento que as atravessava. Do cheiro que o campo transpirava em cada passo que eu dava e o afundar perfeito naqueles campos em plena Primavera. 
Lembro-me dos piqueniques com os amigos, das cantigas ao ouvidos dos passarinhos mais amigos. Das corridas de braços estendidos e rosto virado para o céu "Não vejoo, ahhhhhhhhhhhhhhhhh". O sabor do vento a escorrer todo o rosto e a prolongar-se pelos cabelos. A velocidade dos vários tons de azul no céu. 
Lembro-me também das noites de céu estrelados. Das propriedades privadas invadidas. Dos carros, a dois, em que nos perdíamos entre beijos e abraços num céu imenso estrelado e tão claro. Da capela abandonada assustadora e tão bonita naquele mundo tão nosso.
Era demasiado libertador. Demasiado perfeito.
E tenho saudades. Tenho imensas saudades deste tamanho alívio de me ser e de me estar em casa.

sexta-feira, julho 18, 2014

O inimigo de "O Homem Duplicado"


Para fãs incondicionais daquele que o nosso país não soube abraçar verdadeiramente, José Saramgo, não vejam o filme Enemy baseado na obra “O Homem Duplicado”. A única coisa que posso concretizar que o filme respeita relativamente ao livro é o lado obscuro da destruição humana que o livro aborda ( através de uma fotografia de ambientes cinzentos e uma banda sonos tenebrosa e arrepiante). Acho a analogia da “Tarântola” completamente despropositada e sem nexo, sobretudo confusa para quem possa não estar contextualizada com o lado teórico da coisa. É um filme denso e díficil desde a sua banda sonora à amostra do nível de monotonias de que muitas vidas são feitas, poderá ser considerado uma “valente seca” para intelectuais menores. Não gosto quando os filmes alteram os personagens que nós já conhecemos. Gosto ainda menos quando alteram todo o rumo da história, todo os momentos, e sobretudo quando tornam o “meu” Saramago banal e inacabado. O filme termina a meio da trama do livro deixando a sensação de “WTF???” Inadmissível e completamente transtornante. Não gostei, não tornarei a ver e não aconselho nem a que leu o livro nem a quem não leu. O final do filme destrói tudo aquilo que o decorrer da trama deixou de aliciante ao espectador. Não vejam meus caros. Para quem não leu o livro, guardem o tempo que dedicariam ao filme, e leia-no. Para que não leu e não quer ler, vejam a telenovela SIC que ficam melhor servidos. Tenho dito.

quarta-feira, junho 04, 2014

Mundo de Plástico


 O rídiculo está por toda a parte. É tremendamente espantoso. Posso dizer que me começa a agoniar tanta gente rídicula à minha volta. Serei eu a mais rídicula que não consigo encaixar-me neste mundo de "plástico"?
Já ninguém disfruta verdadeiramente de nada. O vírus espalhou-se por todo o lado e está a lotar as redes sociais. As pessoas tornaram-se de plástico, ridiculamente rídiculas.
As pessoas caiem nos sítios da modam e agarram-nos como se não houvesse mais nada. Usam todas os mesmo sapatos. E usam todas as mesmas cores e os mesmo modelos. Usam os cabelos da mesma forma e, pior, julgam-se sempre melhor ainda sendo iguais. Marcam lugar, marcam posição, como se de uma propriedade se tratasse. Sim, propriedade. É isso. As pessoas acham-se propriedades umas das outras. Andam em manadas e não admitem intrusos ou desvios de rumos. Na verdade, não se sabem aceitar umas às outras se não forem todas iguais. Virem os mesmo filmes, ouvirem as mesmas músicas. Cheiram todas ao mesmo. Cheiram a demais. A abuso. A cansaço. A tédio. São tremendamente boring.
Mas ainda o que me espanta mais são as pessoas que um dia foram inteligentes. Um dia. Que um dia tiveram uma postura e uma personalidade própria e hoje transformaram-se em algo que um dia mais tarde já apenas identificarão nos outros: eu sou como eles. Perdem-se delas próprias.
É rídiculo. É triste. É acima de tudo degradante ter de conviver com tanta parvoeira.

Podemos todos voltar a ser de carne e osso e sair da montra?
Vá lá... deixemos o plástico... nem que seja só por umas horas.

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

O Adeus sem despedida.

 
 
Não consigo despedir-me de ti carequinha. Nunca consegui dizer-te Adeus. Foi sempre uma despedida de sorriso aberto à espera de um novo reencontro e de mais sorrisos.
Tenho-me lembrado tanto de tanta coisa. Ainda há três dias estava a ver-te pela última vez ali, tão sereno, com um ar tão meio (como sempre foste) e não consigo deixar de lembrar tanta coisa que vivemos.
Lembras-te q esperavas por mim todas as semanas depois das aulas para irmos a Portalegre às compras? Não esperas por mim para te ajudar. Esperavas porque sabias que eu queria ir no carro e gritava sempre "vô, abre o tejadilho, abre, abre!!!". Tu sorrias mas alertavas sempre.
Foste o meu professor de patinagem, como eu gostava de te chamar. Calçavas os teus patins e eu equipava-me toda, com o vestido e iamos andar horas no ringue.
Foste tu que me ensinaste a amar os animais.
Eras tu quem ia filmar a Chuva de Estrelas na Festa de Natal da Escola, os teatrinhos da Festa da Páscoa. Lembras-te? Ficavas tão feliz de estar ali. E eu tão orgulhosa e vaidosa: "Está ali o meu avô!"
Lembras-te de mesmo já para o fim não conseguirmos largar as nossas alcunhas? O patxitxinho e a patxitxinha. Lembraste-te sempre isso meu carequinha. Até ao fim.
Fazias os trabalhos de casa comigo e iamos sempre juntos ver as notas assim que saiam e depois corriamos para o café para me presenteares com uma qualquer guloseima.
Eu era tão traquina e tu ajudavas tanto. eheheh Lembras-te de eu levar as meninas lá para casa e fazer tardes de dança? A mesma cassete que passava os mesmo videoclips e nós não nos cansávamos de repetir e rever e cantar e dançar tantas e todas as vezes. Tu ficavas sossegadinho na tua casinha dos bonequinhos a talhar as tuas madeiras e a fazer a tua arte.
Armavas as surpresas com elas meu safado! :) Encobrias as minhas traquinices da mãe e quando o pai não me fazia as vontades, tu ias escondido e tornavas tudo realidade.
E as festinhas que me fazias nos cabelos até eu adormecer? Penteavas com os dedos... até não haver mais fio de cabelo por pentear.. até te doerem os braços de estares na mesma posição, e mesmo assim dizias que não doía, só por saberes que me deixava tranquila. Faziamos à vez com a mãe, lembras-te?
Eu sei que te lembras de tudo. Sempre. Que nunca esqueces.
E eu nunca esquecerei. Nunca esqueceremos todos.
Porque tu não foste só um avô, um grande avô, tu foste um pai (e mãe), tu foste amigo da família dos amigos. Tu fizeste a nossa terra crescer. Deste-lhe lares, deste-lhe vida, deste-lhe o teu amor. Deste-lhe tudo o que Deus te deu a ti. O teu amor e a tua arte.
E a mim deste-me tudo o que sou hoje. Tudo.
 
Não me quero despedir de ti patxitxinho. Não consigo. Estás sempre aqui pertinho de mim. É só fechar os olhos e vejo-te, vejo-nos. Aos dois, aos três, a todos. Vejo-te sempre de braços abertos e a sorrir para mim e sei que essa imagem dar-me-á hoje e todos os dias a paz necessária, e a mais pura e verdadeira das certezas:
 
Tive na minha vida, ao meu lado, a melhor pessoa do mundo.
 
O teu coração estará sempre comigo. E a tua alma a encher a minha.
Ontem, hoje e todos os dias. Eu em ti. Tu em mim.
 
Descansa em paz e guarda-me lá de cima, está bem patxitxinho? Eu por cá prometo que não me esqueço. Nunca.

domingo, janeiro 26, 2014

Como é que se esquece alguém que nos mentiu?

 
Como é que se esquece alguém que nos mentiu? Da mesma forma que se esquece alguém que se amou: não se esquece.
A mentira sendo uma divergência de um sentimento como o Amor tem tanto impacto na nossa vida como uma grande paixão. A mentira fere-nos o peito. É um apunhalar de todo o nosso ser, deixa-nos amputados perante qualquer verdade que possa ainda sobreviver à tragédia de uma grande mentira.
Não é fácil compreender uma mentira. Mais dificil ainda é aceitá-la como sendo a verdade. Aceitar que tudo aquilo que era a nossa verdade é que passou a ser a mentira.
A mentira é confusa, é inaceitável. É cheia de porquês. A mentira é uma tremenda desilusão.
 
Não se esquece alguém que nos mente. É preciso primeiro condenar a pessoa por ter mentido. Fazê-la sentir-se um caco, uma mentira como aquela que criou. É preciso ficar com raiva, irritado, com vontade de esbofetear a pessoa até ela implorar por perdão. É preciso sentir vontade de não querer ver mais essa pessoa. Matá-la dentro de nós. Achar que é a pior pessoa do mundo. É preciso desejar-se a distância. A distância da mentira que era a nossa verdade.
 
 
É preciso criar novas verdades. Procurar novos sorrisos, novos olhares. Procurar novos "qualquer coisa" em tudo aquilo que já tinhamos ao nosso lado. Ver todo um mundo de uma forma [re]inventada.
 
É preciso ir às trevas e voltar para se ter de volta alguma tranquilidade e sobretudo dignidade.
Como é que se esquece alguém que nos mentiu?
Não se esquece. Perdoa-se e volta-se a acreditar.

domingo, janeiro 05, 2014

2014, mais 365 dias de mais ou menos as mesmas coisas.

 
 
E chegou mais um ano, mais 365 dias de mais ou menos as mesmas coisas. Sim, eu não acredito de todo no tão aclamado cliché "Ano Novo, Vida Nova". A vida nunca é nova. É renovada, é reciclada, é proclamada. 2013 foi um pouco daquilo que 2012 tinha sido e roçou perto do que 2011 trouxe. Há sempre mais ou menos as mesmas coisas em dimensões diferentes. Mas todos os anos, todos os 365 dias temos mais do mesmo. Os dias de escola, os dias de trabalho. Os dias de energia. Os dias de cansaço. Alegrias extasiantes. Desilusões profundas. Amarguras. Felicidade. Gargalhadas energéticas. Lágrimas. Mãos dadas. Abraços rasgados. Olhares distantes. Aqueceres de alma. Corações cheios. Brincadeiras. Notícias. Programas estupidificantes. Passeios. Em cada ano há qualquer coisa nova é um facto.
 
Posso dizer que 2013 foi talvez um pouco mais repleto em novidades que 2012. Fiquei desempregada, voltei a estar empregada. Uma estreia na minha vida, é um facto. Mas não a tornou uma vida nova, só um pouco diferente. Conheci pessoas novas de quem gosto muito. Conheci pessoas que não suportei ou suporto. Reconstrui relações. Quebrei laços. Renovei laços. Perdi-me. Encontrei-me. (Re)apaixonei-me. Desiludi-me. Mas também fiz isto tudo nos outros anos.
 
2014 é mais um ano. Mais um ano para mim, para ti, para nós todos. Contando que seja mais um ano que passo junto dos que mais amo não me importo que não seja uma "vida nova". Não quero uma vida nova. Quero esta. Com (des)amores, com a melhor família e os melhores amigos do mundo. Tenho as minhas raízes, as minhas origens, os meus apegos. Tenho esta sensibilidade malandra que tanto sofrimento me causa mas que me permite viver tão intensamente cada momento feliz. Se quero coisas novas? Claro que quero. Mas até mesmo esse querer não é novidade. Quero mais de tudo aquilo que já tenho entregue a mim numa ambição saudável desmedida. Quero dançar nos braços de quem amo e gargalhar intensamente. Quero chorar porque estou triste. Quero chorar porque estou aliviada. Quero chorar porque estou alegre. Quero sentir. Quero adrenalina. Quero desafios. Quero objectivos.
2014 não quero uma vida nova ok?
Dá-me mais um pouco desta. Mais daquilo e menos do outro. Da-me mais 365 dias de tudo aquilo que é tão meu e de tudo o que ainda será.

sexta-feira, outubro 18, 2013

Seu Jorge, o grande.

" Meu amor não estamos sós 
 Tem um mundo a esperar por nós 
 infinito do céu azul 
 Pode ter vida em Marte 
 Então, vem cá me dá a sua língua 
 Então vem, eu quero abraçar você
 Seu poder vem do sol 
 Minha medida 
 Então vem, vamos viver a vida
 Então vem, senão eu vou perder quem sou 
 Vou querer me mudar para uma life on mars"


   

 Porque o sol brilha sempre mais forte depois da neblina. 
Porque continua a valer a pena voar[mos] lado a lado.

quarta-feira, outubro 16, 2013

Nunca fiz senão sonhar-nos.


 
Nunca fiz senão dar-te tudo o que sou. Dar-te todo o meu amor. Dar-te toda a minha alma.
Nunca fiz senão cuidar de ti, tratar de ti. Acarinhar-te. Passar a mão pelo cabelo e fazer da tua vida, a mais perfeita. Nunca fiz senão ser sempre tua, a todas as horas e a todos os minutos. Amar-te incondicionalmente e esperar por ti sempre. Nunca fiz nada que não fosse para ti, por ti. Nada que não fosse para nós e por nós. Nunca fiz senão dar-te o meu melhor, e o meu pior. Nunca fiz se não ser em em todas as nossas coisas. Nunca fiz senão dar-te a minha maior ternura e todo o meu carinho. Nunca deixei de te amar. De te querer por perto. Nunca quis ouvir outra voz susurrar ao meu ouvido que não a tua. Nunca quis amar intensamente ninguém que não tu. Nunca quis soltar a tua mão, nem parar de te beijar.
Nunca quis perder horas sem ti, dias sem te ver, minutos sem te falar.
Nunca quis dormir ao lado de outro alguém que não tu.
Nunca quis estar sozinha, podendo estar ao teu lado.
Nunca quis dizer-te que te amo, porque não serei capaz de parar de o dizer.
Nunca quis dizer-te adeus, mesmo quando tu já partiste.
Nunca quis deixar de viver a nossa história, quando o que fiz nunca foi mais sonhar. Sonha-te. Sonhar-nos.


terça-feira, setembro 03, 2013

Seremos sempre os mais felizes do mundo.

O trânsito percorria mais um ano as estradas todas da minha pequena vila. O jardim tinha multidões de todas as idades, a entrada este ano anunciava a projecção do Novo Centro de Saúde do Crato. A malta brincou: "entra-se bem e sai-se para ficar doente a ressacar. " A entrada de muros brancos e árvores imponentes, e o principal corredor do artesanato. Falta lá o avô, os seus bonequinhos. Falta lá ele sentadinho, com o seu manto azul cheio de lascas de madeiras "Anda cá Joãozinha, toma lá 200escudos e vai comprar qualquer coisinha para beliscares :)". Relembro. Sorrio e sigo. Há novo artesanato. Pessoas de perto, de longe, de cantos e de recantos. Nas tasquinhas cheira a acorda a alenteja, a migas e entrecosto, carne de porco preto. Bebem-se licores daqui e dali. Comem-se fatias de teculameco, rebuçados de ovos de Portalegre, mais doces e mais salgados. E a malta reune-se mais um ano.  E encontramos a malta do ciclo (alguns casados e com filhos), a malta do secundário, a malta da faculdade e até do trabalho. Amigos de longe, de perto, de meio caminho. Vêm os avós, os tios, os pais, os primos. E vem a familia recente e a mais nova, e a mais velha. E voltam as caras conhecidas, aquelas que conhecemos do ano passado e aquelas que conhecemos de há vinte anos. E as imensas caras novas. A multidão que chega de fora e vem ao Crato criar raízes.
Durante o dia acalmamos da multidão no banco do quintal ao lado do fiel companheiro e da familia.
Damos um mergulho e afundamo-nos nas risadas da nossa malta.
E chega a noite e o Crato está cheio. O palco tem uma imensidão sem medida, as luzes não chegam ao alcance da última pessoa que se avista e nós pensamos no quanto mudou, no quanto engrandeceu. E olho para a minha volta e as minahs gentes continuam ali. Alguns amigos novos, que voltam sempre nesta altura. Mas são meus. São todos tão meus. São os mesmo sorrisos e os mesmo olhares. O meu sentimento de "esta minha gente é o meu coração".  E nisto as nossas festas não mudam. Continuamos a ser os mesmos, com a mesma vontade, com o mesmo sentimento, com a mesma cumplicidade. E longe ou perto (para ti Carla) estaremos sempre juntos de corações unidos e com a lembrança de cada olhar e cada voz, e cada momento e toda a nossa simplicidade.
Sempre com a certeza de que ali, no meio uns dos outros, em família, seremos sempre os mais felizes do mundo.

domingo, agosto 18, 2013

Mais um ano de Festival :)

E como não poderia deixar de ser, vem mais um final de mês de Agosto agitado por terras Cratenses.
E como já só faltam alguns dias, o cartaz este ano é:


É favor NÃO FALTAR :)

terça-feira, agosto 13, 2013

E perderam-se no corpo um do outro uma e outra vez.


Estiveram três anos sem se verem. Três anos sem se tocarem. Três anos sem se falarem. E chegou o dia em que os caminhos se cruzaram mais uma vez. E outra e outra. E terminaram onde terminavam sempre. Na cama num longo, demorado e prolongado amor.
E passaram dois anos e eles eram os mesmos. Adormeceram abraçados como se tivesse sido ontem a última vez que dormiram juntos. Não se esqueciam um do outro. Da pele um do outro. Do cheiro um do outro. Dos arrepios. Dos sorrisos. Dos olhares. Do toque. Da magia. Do amor.
No final ela dormia ainda. Ele abraçando-a, descontraído caía na leitura do seu livro de cabeceira e deixava cair o olhar pelo seu ar terno enquanto dormia. Pelo seu corpo nú e puro. Admirava as curvas imperfeitas dela. As marcas, as cicatrizes, os sinais. Gostava de como o corpo dela caía junto ao seu e encaixava. Tal como dantes. Sorria e respirava fundo.
Ela acordara. Sorria e abraçava-o forte. Levantara-se. Nua. Toda nua. Foi agarrá-la à cozinha. A luz que entrava pela janela iluminava os seus ombros e a nuca. Beijara-a até não poder mais.
Segredou-lhe ao ouvido: Fica cá só mais uma noite. Fica cá só mais uma noite todos os dias pode ser?
E ela traquina como sempre fora segredou: Só se me apanhares. 
E correu pela casa fora até ele a apanhar e se perderem nos braços um do outro. Uma e outra vez.